Reinventando a roda: quando a falsa autoridade vem de pesquisa redundante

O problema com o “publish or perish” é que o sujeito TEM que publicar, nem que seja lixo. Nem que seja para demonstrar que numa amostra standardizada de aranhas com n=150, em triplicata, 100% fica surda se as 8 pernas forem arrancadas.

Já vi de tudo nesse mundão de meudeus das universidades brasileiras: professor titular medindo atividade respiratória de diferentes espécies de copépodos, com zero acréscimo em conhecimento científico universal, às custas de grana da FAPESP para viajar para lugares paradisíacos para coletar outras espécies de copépodos que respiravam da mesma maneira.

Agora temos uma demonstração quantitativa sobre a alteração de movimento no levantamento terra causada pelo uso de strap.

Putz… vai mudar a vida de todo treinador de força. Vai todo mundo sair correndo e mudar o planejamento competitivo dos seus atletas. O Hugo vai fazer terapia 4 vezes por semana. Por uma semana, pairará a dúvida sobre como proceder nos esportes de força.

Só que não.

Todo mundo já sabe isso há uns 60 anos. Desde que strap era pedaço de faixa de judô arrebentada.

Sério mesmo: publicar um artigo sobre isso tem lá sua validade. mas não torna ninguém expert em esporte. Só dá um “up” no Lattes do neguinho.

Vamos ver os próximos: vamos provar que atividade física regular melhora a condição de mulhers pós-menupausa com osteoporose? Ou que inativos podem adotar diferentes protocolos que dá na mesma? Ah, tudo bem: escolhe aí um desses tópicos que qualquer treinador de força já sabe há meio século. Pelo menos.

O barato da certificação

Se você fizer os 6 níveis da MAD, você tem uma certificação em “powerlifting”? Não. Sabe por que? Porque é ilegal. Também é ilegal ter certificação em Pilates: a família do Pilates ganhou um processo há alguns anos que impede que isso aconteça. Você ganha um certificado de que fez um curso sobre força e condicionamento – um deles, dos vários que a gente oferece.

Parece que estamos dando um tiro no pé, já que todo mundo anda atrás de certificações. No entanto, apesar de admitirmos que aprendemos muito com a galera “esperta” em marketing, nós, da MAD, estamos pendendo para a linha do “marketing realista” (que tem essa inovação da honestidade).

A gente dá um certificado para vocês. Igualzinho a quem oferece “certificação”. Um dia, quando o curso se tornar uma especialização registrada no MEC-CAPES, você vai receber um DIPLOMA com carimbo do MEC. Com a mesma validade dos da Marilia Coutinho, Ph.D. ou doHugo Quinteiro – Powerlifter, de mestrado e doutorado.

A gente é contra certificações? Não, a gente não é. Mas na linha do marketing realista, a gente é obrigado a dizer para vocês que seu aluno (cliente) realmente não liga ou não sabe avaliar suas certificações. Isso é verdade no Brasil e nos Estados Unidos.

Aqui, nos Estados Unidos, para contratação em determinados cargos de coach, há uma lista de menos de meia dúzia de certificações que são consideradas importantes (veja entre os artigos da compilação abaixo). Numa boa, uma certificação supimpa em powerlifting não ajuda na briga a tapa por uma vaga de coach assistente num departamento esportivo de uma grande universidade. Personal trainer? Pfff…. todo mundo sabe que o que conta é o seu sucesso anterior com outros alunos (clientes). Seu aluno não sabe o que significam as siglas.

Então, colega, faça o curso da MAD pela QUALIFICAÇÃO que a gente oferece, e não pela CERTIFICAÇÃO. Quanto a essa, a gente promete que o certificado é bonitinho, em papel couche e que as pessoas que realmente manjam de treinamento no Brasil vão entender. Mas só eles. Seu aluno, não: para ele, é só mais um diploma na parede.

Strength and conditioning certifications: why and which matter, for what

Nota pública da MAD Powerlifting sobre manifestações em mídias sociais do aluno Fabricio

Pela primeira vez em muitas décadas somadas de experiência em ensino superior, tivemos um aluno que se descontrolou e difamou um dos professores e o curso (atacando, assim, a MAD Powerlifting). O aluno o fez em seus canais do Facebook e Instagram.

A boa metodologia pedagógica impede que estes conflitos ocorram: ainda que alunos não se sintam sempre à vontade, que entrem em conflito uns com os outros, há técnicas para administrar tudo harmonicamente. Esta metodologia pedagógica também dá ao professor recursos para que jamais o conflito se estenda a ele, pois de sua autoridade depende o bom andamento do curso. O professor de nível superior tem a responsabilidade de não permitir que qualquer perturbação ocorra, com diversos instrumentos pedagógicos para tal.

A MAD Powerlifting é um sistema de educação continuada em treinamento de força inédito no Brasil. Temos parceiros, mas não concorrentes diretos. Temos um grau relativamente alto de visibilidade no meio do treinamento físico.

O caso que enseja o presente esclarecimento é de um aluno específico, cuja agenda não é clara. Pode ser uma agenda comercial, política ou apenas uma situação de instabilidade emocional.

O aluno da MAD Powerlifting Fabrício Leão matriculou-se no primeiro semestre para o programa completo de seis níveis de nosso sistema de educação continuada em treinamento de força. No entanto, desde o primeiro dia, mostrou que tinha uma afiliação metodológica contrária à metodologia da MAD Powerlifting. Além disso, constrangeu os demais alunos, tornando necessário chamar atenção calmamente em aula, dizendo a ele que seria necessário que ele “controlasse sua necessidade de falar”, já que ele demonstrava um grau de ansiedade descontrolado, falando junto com a professora e junto com quaisquer alunos que se manifestassem.

É obrigação do professor encarregado da aula expositiva controlar tais manifestações, que podem ocorrer.

Durante as práticas de todos os cursos, o aluno Fabrício Leão não conseguia conter sua necessidade de expressar sua filiação ao sistema de Charles Poliquin, tornando totalmente impossível ensina-lo a agachar, entre outros movimentos.

Não apenas o aluno não se permitiu qualquer oportunidade de aprendizado, como passou a buscar influenciar os demais alunos, os quais manifestaram, em particular, desconforto com a situação.

No dia 12 de setembro, durante o curso nível 3 da MAD Powerlifting, o aluno Fabricio Leão mais uma vez insistiu em executar o movimento do agachamento de maneira inconsistente com nossa metodologia, reiterando sua filiação ao sistema Poliquin.

Foi então que a Dra. Marilia Coutinho desautorizou o sistema em nosso curso, fato que já havia sido repetido, inclusive por e-mail, para todos os alunos: nenhum “guru” de treinamento seria discutido ou admitido em sala de aula.

O aluno Fabrício se retirou e fez pelo menos 5 postagens difamando a MAD Powerlifting e atacando sua treinadora chefe, Dra. Marília Coutinho.

Meses atrás, um consultor de marketing havia previsto que em breve alguém se matricularia como aluno com o único intuito de gerar controvérsia com a Dra. Marília, com a finalidade de se promover. Em marketing, poucas coisas são mais eficientes do que a controvérsia envolvendo uma autoridade no campo.

Assim, o comportamento do aluno Fabrício Leão nos sugere algumas dúvidas:

1.   Por que uma pessoa que é filiada a um sistema rigorosamente oposto à metodologia da MAD Powerlifting se matricularia em nosso programa se não fosse para criar situações de conflito?

2.   Por que esta pessoa seguidamente provocaria a professora chefe com interrupções e tentativas de se antecipar às suas explicações, mesmo diante do desconforto dos alunos?

3.   Por que esta mesma pessoa insistiria, em mídia social, em marcar os professores da MAD junto com seus adversários intelectuais, como se estivessem todos em situação de igualdade?

Deixamos propositalmente estas dúvidas em aberto. Elas sugerem possíveis respostas, porém não temos dados concretos para produzir nenhuma conclusão definitiva.

Ficam as perguntas, inevitáveis, discutidas com alunos e simpatizantes.

O investimento do aluno para os cursos finais foi integralmente reembolsado. Prometemos a nossos alunos que daqui por diante, qualquer comportamento suspeito no primeiro curso do programa fará com que não aceitemos mais a inscrição do aluno no restante do programa. Ninguém mais será exposto ao desconforto que o aluno Fabrício impôs a nossos alunos.

Este assunto termina aqui. Qualquer reação do aluno Fabrício será administrada segundo orientação de nossos advogados. Nenhum “bate-boca” digital ocorrerá.

Atenciosamente,

Equipe MAD Powerlifting

OBS – a imagem é o espaço onde estavam os Buddhas de Bamiyan, figuras esculpidas na rocha no século VI e destruidas pelo Taliban

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Entrevista Luciano Dias: o criador do “Strongman adaptado”

MAD – Luciano, conte um pouco sobre você: onde e quando você nasceu, como é sua família e como foi sua infância. Que tipo de atividade você mais curtia quando pequeno?

LUCIANO – Eu nasci em São Paulo, mais especificamente na zona norte. Nasci em 11 de junho de 1981. Minha família é de Minas Gerais. Meu pai sendo o irmão mais velho deixou a roça e veio pra São Paulo em busca de uma vida melhor. Logo depois voltou para se casar e trazer minha mãe (que também trabalhava na lavoura) para São Paulo também. Em 1981 eu nasci. Minha infância foi bem simples, mas muito feliz e saudável. Adorava brincar de coisas que hoje em dia infelizmente estão se perdendo como: Esconde-esconde, bola de gude pega-pega e por aí vai. Só nunca fui muito fã de pipas e balões, mas brincar da famosa ”lutinha” era espetacular. Sempre fui fascinado por artes marciais. E depois de brincar de luta com meu tio, este tentou convencer meu pai a me colocar no karatê. Eu queria muito, mas meu pai sempre me enrolava rs….. Dizendo que era só para adultos rs… Como cresci em um bairro pobre, não sei se o motivo era me manter ocupado, ou me manter longe de más amizades, consequentemente longe das drogas, ou simplesmente para ter um futuro melhor, mas meus pais fizeram questão de investir na minha educação. Eu estudava em escola publica e aos 9 anos minha mãe me matriculou em um curso de Inglês. Por ter um tio que morava e mora até hoje em Nova Iorque e ter vencido na vida depois de muito trabalho (pois também trabalhava na roça), creio que foi um dos motivos para que minha mãe me matriculasse no curso. Por ser criança, tinha muita facilidade e desenvolvi rápido meu inglês. Nesta mesma época consegui convencer meus pais a me deixarem fazer o tão sonhado karatê. Esta fase foi bem corrida porque fazia inglês duas vezes na semana, karatê três vezes e trabalhava em uma lanchonete ajudando meu pai (isso com uns 11 ou 12 anos). Logo depois disso comecei a sentir fortes dores na coluna lombar por conta de uma escoliose. As dores eram insuportáveis. Creio que a fase do estirão tenha contribuído para isso. Lembro que em fases extremas eu não conseguia ir para a escola e muitas vezes meu pai tinha que me carregar de um cômodo a outro da casa por não conseguir andar. E aos doze anos tive uma grande decepção: um médico mal preparado (obvio), disse que eu deveria parar com o karatê imediatamente e começar a fazer natação. Nesta época eu era faixa verde. Era o aluno mais novo e o mais graduado e coincidentemente o mais novo no curso de inglês também. Revoltei-me e disse que já que teria que parar o karatê pararia o Inglês também. Graças a Deus minha mãe não deixou. Ela sempre foi muito esperta rs… Jogava com o psicológico. Ela dizia que eles deixavam de colocar coisas em casa…. às vezes atrasava o aluguel… tudo pra que eu não precisasse parar com meu curso e eu ia jogar tudo fora? Então continuei né? Rs fazer oque? Rs. E então comecei com a natação. Mas como gravei uma frase do meu tio na qual dizia: “Tudo que você se predispor a fazer, faça bem. Seja o melhor”. Então por mais que eu não fosse muito fã de natação, me dediquei. Tinha o melhor tempo nas avaliações da academia. Paralelo a isso, usava a meditação na minha cura das dores na coluna. E aos poucos foi melhorando. Aos quatorze finalmente me formei no inglês e de quatorze pra quinze praticamente estava de saco cheio de natação rs…. e quis voltar para as artes marciais. Depois de assistir a um filme de capoeira, fiquei fascinado e advinha… rs. Sim comecei a fazer capoeira. Meus pais acharam que eu estava louco pelo problema que tive na coluna, mas não deixaram de me apoiar. Graças a Deus não senti, mais dores na coluna como sentia antes, mas de vez em quando sentia um desconforto. Então nessas fases eu respeitava meus limites e maneirava nos treinos. Ao me formar no colegial, eu quis tentar durante um ano realizar meu sonho que era ser jogador de futebol. Pois apesar de não mencionar, jogava futebol também durante toda minha infância e adolescência. Então como estava em fase de se alistar no exercito e provavelmente não conseguiria emprego, resolvi tentar mais um ano. Fiz teste em um time de futebol de campo e passei. Fui para o Paraná e fui o único selecionado entre 22 jogadores para ficar. Mas como futebol rola aquela “máfia” com relação a empresários e cartolas eu me enchi.

 

MAD – Como foi sua Educação Física escolar? Se você pudesse hoje conversar com seus professores daquele tempo, o que você diria?

LUCIANO – Minha Educação física escolar foi bem pobre com relação ao desenvolvimento da criança como um todo. Porém como eu praticava outros esportes, não senti muita falta. Mas creio que se não fosse minhas atividades extras, teria um repertório motor mais comprometido. Contudo pra mim foi bom porque eu adorava futebol. E era o que fazíamos na educação física escolar: Jogava Futebol. No colegial começamos a jogar handebol. Engraçado que eu não sabia nada, então comecei a jogar no gol. Ganhei troféu de melhor goleiro, melhor atleta e goleiro menos vazado no campeonato escolar. Rs. Sinceramente não sei oque diria a meus professores se os reencontrassem. Naquela época era comum este tipo de conduta….

 

MAD – Antes da faculdade, você praticou algum esporte? Como foi?

LUCIANO – Sim muitos. Inclusive ganhei medalhas em campeonatos de Karatê, natação, Futsal, futebol e capoeira. E na faculdade joguei handebol por pouco tempo.

 

MAD – Como foi a decisão de cursar Educação Física?

LUCIANO – Na época que estava para assinar o contrato com o time do Paraná, chamei meu técnico pra conversar. Disse a ele que tinha vontade de fazer Educação Física. Tinha vontade de trabalhar com crianças em escola. E que começaria a distribuir currículo nas academias para dar aula de capoeira, pois nesta época também apesar de ser um dos mais novos, era o mais graduado na capoeira. Isto foi em dezembro de 1999. Disse ao meu técnico que faria o vestibular e se eu passasse teria até fevereiro para resolver minha situação. Caso não rolasse de assinar contrato com o time, eu ia desencanar de futebol. E assim foi. Passei no vestibular e em janeiro de 2000 distribui currículos para dar aula de capoeira. Foi uma época bem corrida, porém o pior estava por vir. Como não tinha computador, tinha que fazer o TCC na casa de amigos que tinham. E meu TCC foi entregue com um dia de atraso por não ter tido lugar para imprimir, acredita? Meu caso teve que ir pra julgamento onde todos os professores tiveram que votar para ser aceito ou não. Graças às minhas notas (pois nem podia pensar em ficar de DP porque não tinha como pagar) e ao meu relacionamento com os professores, meu TCC foi aceito e pude me formar em 2003.

 

MAD – Você teve lesões e problemas de saúde sérios. Conte um pouco como foi enfrentá-los

LUCIANO – Na verdade meu único problema serio que tive foi com relação a minha coluna lombar mesmo. Apesar de ter sido uma criança fisicamente ativa, nunca quebrei nada. Que me lembre foi só…. mas já tá bom né? Rs…. foi o suficiente

 

MAD – A escolha pela Força e pelo Strongman: como foi?

LUCIANO – Pois é…. rs Como disse anteriormente, sempre quis cursar Educação Física para trabalhar com Educação Física escolar. Quando entrei na faculdade, em janeiro de 2000, deixei currículo nas academias para dar aula de capoeira. Caso não conseguisse emprego até junho, eu teria que trancar a faculdade pois não tinha como meus pais pagarem sozinhos minha faculdade. Em abril eu consegui um emprego na área de telemarketing, na qual trabalhei por 9 meses e não aguentei mais. Precisava de algo na minha área. Fui mandado embora dia 9 de janeiro de 2001. Incrivelmente dia 10 (no dia seguinte) o telefone de casa toca. Era a proprietária de uma academia falando sobre o currículo que tinha deixado há um ano. Me espantei e confesso que me arrepio ainda quando falo sobre isso. Pois foi ali o marco e o divisor de aguas da minha vida. Mas tinha um detalhe: Eles precisavam de professor de musculação, não de capoeira. Mas eu disse que iria lá pra conversar. Cheguei lá todo “mirradinho” e acertamos de começar no dia seguinte. Foi a minha sorte, pois EU NUNCA TINHA TREINADO MUSCULAÇÃO NA VIDA RS. Sai de lá e a primeira coisa que fiz foi passar na casa de um amigo e falar: “Fauze, vamos lá na academia onde você treina e você vai me falar o nome de cada aparelho e pra que serve cada um”. Então fomos. Lembro que tinham algumas pessoas treinando e viam meu amigo me explicando e diziam: “Você vai dar aula? E nunca treinou? Complicado hein?”. E dali saí com minha “bíblia” que guardo até hoje. Um caderninho que continha informações “valiosíssimas” como: 3 de quinze é pra emagrecer e 4 de 10 é hipertrofia  há há há….. Eu estava no segundo ano da faculdade, nunca tinha treinado e seria professor de uma academia de ferreiros de verdade! Não seria estagiário não! Seria o único professor da sala mesmo! Foi sem duvida uma das maiores escolas que tive na vida. Lembro que no primeiro dia os caras me olharam como se quisessem falar: “O que esse frango tá fazendo aqui” rs. E assim foi…. Alguns alunos me pediam ajuda com alguns exercícios e eu mal sabia como ajudar. Comecei a me virar lendo muito livro e conversando muito com alunos mais experientes. Neste período obvio que comecei a treinar musculação, Kung Fu e MMA (que na época era chamado de vale-tudo). E comecei a dar muita atenção para os alunos que não eram tão “grandes”. E com isso começaram a vir muitos alunos para o meu horário. Em quatro meses que comecei a treinar e acertar minha dieta meu corpo mudou drasticamente! Era o estimulo que faltava e era a genética respondendo. Agora podia entender na pratica porque meus tios da lavoura eram todos “trincados”. Porque minha avó tinha antebraços fortes e vascularizados. Vi naquele período que não largaria jamais aquilo. Ali era meu mundo. Comecei com a ideia de ser fisiculturista. Cheguei a fazer apresentação na academia, mas não passou disso. Nesta época conheci um atleta de supino chamado Silvio Vitório. Eu já tinha me aprofundado tanto na musculação que aqueles alunos que me achavam uma zebra me respeitavam muito a esta altura. (Até hoje quando visito as academias que trabalhei, a academia para para vir falar comigo. É muito gratificante). Dei uns toques no treino do Silvio e fui acompanha-lo no que foi chamado de primeiro campeonato brasileiro de strongman. Não é considerado oficial porque não tinha nenhuma federação na época. Ele me convenceu a entrar na categoria até 100 kg. Decidi na hora, só ia acompanha-lo mesmo. Mas resolvi tentar a sorte rs. E foi ali que digo que o strongman me escolheu. Não fui eu quem escolheu o strongman. Ele me escolheu. Os gritos liberados durante as provas a sensação de puxar um caminhão foi algo indescritível que me arrepia até hoje. Aquela foi a hora que eu me encontrei. Exorcizei todos os meus problemas. Antes das provas lembrava das noites sem dormir fazendo trabalhos da faculdade. Trabalhar em duas academias e estudar a noite. O fato de quase não ter conseguido me formar…… tudo isso subia pro peito e bum! A força vinha e não sabia como contê-la….. Mas não era mesmo pra contê-la…. era para usá-la…. deixar explodir. E isso era demais! Depois que me formei fui trabalhar em Alphaville com musculação e kung fu, onde conheci meu técnico, Hussein Omairi, que foi praticamente um segundo pai pra mim. Ele era do levantamento olímpico e tinha um método de treino na qual consistia em treinar só os exercícios básicos de cada musculo, porém todos os dias! Isso, todo dia! Experimentei e minha força decolou na época. Ele fazia um trabalho mental comigo fantástico na qual aplicava na minha vida pessoal. Lembro que saia da academia que trabalhava aqui em São Paulo as 22:00hs. Chegava em Alphaville e treinávamos até 0:00 e depois caia na piscina gelada. Era estilo Rock Balboa há há há. Passado este período fui aprimorando meus treinos e alimentação até chegar ao meu ritmo atual

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MAD – Você é conhecido por aplicar elementos do Strongman ao treinamento em geral: por que?

LUCIANO – A meu ver o strongman é a modalidade que mais se assemelha com as atividades da vida diária. Contém os elementos básicos como levantar, empurrar, puxar, arrastar e transportar. Ao fazer este tipo de treino você melhora e muito seu objetivo final que pode ser o power lifting, artes marciais e outros. Pois você fica mais ágil, resistente, forte e rápido. Tudo que seu corpo precisa.

 

MAD – o trabalho com idosos: fale um pouco sobre essa opção e como é trabalhar com essa população

LUCIANO – O strongman trabalha diversas capacidades físicas como foi dito anteriormente. Capacidades estas que ficam mais comprometidas com o passar dos anos. São elas: força, equilíbrio, resistência, coordenação dentre outras. Nos não percebemos a importância destas capacidades, pois as temos bem desenvolvidas (pelo menos para as atividades da vida diária). Na velhice percebemos o quão elas são importantes ao ver a dificuldade de um idoso caminhar, levantar e sentar, transportar objetos de um lugar a outro e se equilibrarem. Minha família e eu vimos minha superação na época que tive as crises de dores lombares e, mais que isso, após passar por este problema de saúde, levantar as cargas que levanto e praticar o esporte que pratico, levou-me a tentar proporcionar uma vida mais digna a pessoas que um dia fizeram (e ainda fazem) muito por nós: IDOSOS. Como disse, minha pós-graduação foi nesta área. E hoje dou aula na mesma pós-graduação de esportes de força e, um dos temas abordados é o strongman competitivo e adaptado. Como disse anteriormente o strongman é muito parecido com as atividades da vida diária. Oque faço é adaptar as limitações e incluir no treinamento das capacidades físicas mencionadas no início. Por exemplo: no arremesso de barril, eu adapto e faço com que eles arremessem almofadas trabalhando explosão, equilíbrio e coordenação. Este é só um dos exemplos, temos inúmeros. Muitos de meus pacientes voltaram a andar, saíram da cadeira de rodas, pois estavam enfraquecidos, com sarcopenia (perda de massa muscular e consequentemente de força) e totalmente dependentes. Mais do que força, você poder devolver a uma pessoa a dignidade, é sem duvida no mínimo gratificante.

 

MAD – Você tem agora uma filhinha recém-nascida. Como é ter tanta intimidade com as duas pontas do desenvolvimento da força (bebês e idosos)?

LUCIANO – Tenho sim… a Isa. Ela é o meu Norte. E sim, já brinco com ela introduzindo aos poucos movimentos básicos. Deixo sempre ela brincando no chão (claro que coberto) e quero que continue assim. Quero que, apesar dos dias de hoje contribuir para que nossas crianças cresçam cada vez mais sedentárias, ela tenha uma infância saudável como eu tive. Com isso ter uma boa fase adulta e consequentemente uma boa velhice. Hoje tenho uma academia que trabalha o strongman adaptado. Pra quem não teve a oportunidade de se cuidar desde o inicio, minha dica é que não só para o strongman, mas para qualquer coisa que queira fazer na vida, NUNCA É TARDE! E como preparador de atletas de diversas modalidades, fico feliz em vê-los concluírem uma prova, validar um movimento, marcar um ponto, porém gratificante também é você fazer com que um idoso consiga se levantar sozinho de uma cadeira e diga a ele: VALIDO O MOVIMENTO!

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Entrevista com Vinicius Barbosa

MAD – Fale um pouco sobre você, Vinicius: onde e quando nasceu, como foi sua infância e como é sua família.

Sou de Goiânia, Goiás. Nasci em 1985, quando as crianças brincavam muito mais nas ruas e computadores e jogos eletrônicos ainda estavam por vir. Joguei muito “golzinho” na rua do prédio em que eu morava, rodava o bairro de bicicleta e patins, adorava artes marciais – pratiquei caratê durante alguns anos – e também fiz natação. Os jogos contra outros prédios do bairro nos campos de terra renderam momentos inesquecíveis! Na escola nunca me furtei de participar das modalidades da educação física obrigatória: futsal, basquete, handebol e vôlei. Foi uma infância movimentada, eu diria.  Do tipo que não se vê mais hoje em dia.

MAD – Quando você era pequeno, o que mais interessava você?

Eu adorava artes marciais. Assistia a todos os filmes do gênero e praticava caratê. Também jogava muito futebol.  A gente chutava bola de meia, tampinha de garrafa, fazia golzinho na rua, campo de terra, e tudo mais que se podia inventar. Mas eu dividia estas atividades com o vídeo game, era a época de ouro do Super Nintendo e depois a primeira geração do Playstation. Eu não sei como conseguíamos fazer tanta coisa naquela época! Em meados da década de 90 ganhei meu primeiro PC. Aquilo me fascinou; passei a dizer que queria me formar e trabalhar com computação. E mais tarde foi justamente o primeiro caminho que segui profissionalmente.

MAD – Escolha profissional: como você escolheu o que estudar e como foi a “primeira carreira”?

No 2º ano do ensino médio entrei no curso técnico de Telecomunicações, já pensando na Engenharia de Computação que pretendia cursar posteriormente. Terminado o curso de Telecom ingressei, via concurso, na Celg (Companhia de Energia Elétrica de Goiás) e ao mesmo tempo iniciei meus estudos em engenharia de computação na Universidade Federal de Goiás. Foram mais de 5 anos de curso superior no qual, embora eu tivesse boas notas e tenha feito grandes amizades, eu nunca me senti integrado naquele mundo. Um indício disto era minha falta de interesse em assuntos de computação e programação fora do currículo escolar. Eu até estudava! Me graduei com média global acima de 8. Razoável, não? Mas aquilo não era minha vocação. Acredito que o relativo sucesso nos estudos vieram da minha educação de base, mas não de um talento para mexer com computação.

MAD – Você fez uma das coisas consideradas mais ousadas na nossa sociedade super-especializada: trocou de profissão. O que motivou você a fazer isso?

Eu tinha meu diploma em engenharia de computação e um emprego estável. Mas não estava feliz! Não exercia uma função que me fosse gratificante, fazia muitas horas-extras, e foi crescendo um sentimento de insatisfação. O momento de tomar uma decisão mais drástica era aquela. Eu sabia que esta decisão significaria dar vários passos para trás até recuperar a estabilidade financeira e profissional que eu já havia conquistado. Mas eu estava com vinte e poucos anos ainda! O momento de arriscar era aquele, eu não poderia me acomodar naquela zona de conforto ilusória. Com o suporte da minha esposa (sem ela nada disto seria possível), iniciei um projeto totalmente novo, tanto pessoalmente quanto para o mercado “fitness”: abri a Arena Performance, um centro de treinamento pautado nos exercícios livres com barra e kettlebells. Este desafio duplo tornou a jornada ainda mais complicada. Primeiramente eu entrava em um campo profissional e em um mercado totalmente estranho, sobre o qual eu conhecia muito pouco. Como se não bastasse, escolhi seguir uma linha de treinamento que o grande público ignorava e ainda desconhece bastante. Quando fundei a Arena Performance não havia ocorrido este “boom” do Crossfit aqui no Brasil, tornando a adesão de novos alunos ainda mais difícil. O que me fez perseverar neste caminho foi uma certa vocação: quando você é chamado a fazer algo que vai além de qualquer recompensa imediata, que de alguma forma você não consegue deixar de fazê-lo. Confesso que já pensei em desistir. Mas não o fiz porque depois que trilhei este caminho, não me imagino fazendo outra coisa.

MAD – Por que força é tão importante?

Ser forte para mim está ligado a todas as decisões e aos rumos que tomaram minha vida desde que conheci o treino de força. Então não significa apenas ter músculos ou levantar mais carga. Eu escolhi ensinar as pessoas a se tornarem mais fortes, mostrar a elas que há mais para se ganhar do que apenas estética. A força está no CERNE de todo ser humano e as pessoas precisam redescobrir isto.

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MAD – Você escreve bastante sobre métodos de treinamento. Qual foi sua motivação para “fazer diferente”?

O treinamento tradicional feito em aparelhos nunca me chamou a atenção. Entrei na academia para me manter ativo. Estava sedentário, já não praticava com regularidade nenhum esporte, e a academia tradicional era a opção mais fácil para retomar algum nível de atividade física. Não satisfeito com aquela rotina nos aparelhos, comecei a pesquisar sobre treinamento físico e descobri outro mundo: o treinamento com pesos livres (levantamento básico, olímpico e kettlebells). Entrei de cabeça neste mundo, estudando e praticando. Aquilo sim fazia sentido! Treinar o corpo de forma integrada, através de movimentos que são o padrão fundamental da nossa motricidade e da nossa fisiologia. Eu olhava ao meu redor e não via absolutamente uma alma fazendo nada daquilo; professores instrutores das academias também totalmente alheios. Eu vi que eu poderia fazer diferente e melhor.

MAD – Arena: como está sendo a experiência de uma proposta alternativa? Quem é seu público? Como você vê o “fitness alternativo” no Brasil?

Tem sido bastante desafiador alavancar um projeto como a Arena. As mídias sociais e a popularização do crossfit têm ajudado bastante. Este ao utilizar muito dos exercícios que também utilizamos e por adotar um visual mais rústico apresenta um modelo de fitness para a sociedade que se parece com a nossa proposta, eliminando muito do estranhamento inicial e rejeição; as mídias sociais garantem uma exposição e divulgação únicas, fundamental no processo de formação e comunicação com o público que está insatisfeito com as academias tradicionais e buscam alternativa. O “fitness alternativo” está crescendo, mas tem sido parasitado pelas academias tradicionais, que abrem espaços específicos para a prática do que chamam de aulas de “funcional” e “cross”. Estes espaços, no entanto, não representam uma quebra de paradigma em como pensar o treinamento, mas simplesmente é uma resposta ao modismo, uma opção a mais entre quinhentas outras modalidades que a academia oferece ao aluno. Resumindo: uma jogada de marketing. Centros de treinamento que verdadeiramente fazem diferente existem, ainda são poucos, mas muito promissores.

MAD – A carreira de atleta de powerlifting: como foi subir no tablado pela primeira vez? E agora, para onde vai?

Escrevi em meu blog à época do primeiro campeonato que participei. Ali está registrada a experiência ainda fresca na memória, com os sentimentos mais aflorados. Transcrevo abaixo:

“…foi uma das experiências mais marcantes da minha vida. Impossível descrever em palavras o que aconteceu. Fiz um agachamento 10kg e um terra 15kg mais pesados que meus máximos de treino, e se eu já relatei aqui como é diferente a dinâmica do treino de força – regularmente testando seus limites, se superando treino após treino, vivendo momentos marcantes e ficando cada vez mais forte a cada ciclo de treinamento – absolutamente NADA se compara ao momento em que você completa uma repetição máxima em um tablado competitivo, em um meet de powerlifing. Não se trata ali de superar adversários, de ganhar ou sair premiado. Não. Trata-se antes de, por alguns segundos, se desligar completamente de toda complexidade mental e emotiva com as quais nos cercamos, e contemplar a essência física de SER humano. Ainda fico meio atônito, me pego muitas vezes com cara de paisagem, olhar longe e coração meio acelerado quando paro para reviver aquelas horas. Como consequência de tudo isso, a motivação e o foco para treinar estão em outro nível, muito mais elevados, e a própria experiência de treino está diferente… Enquanto escrevia este post, me recordei desta entrevista com a Marilia Coutinho, na qual ela fala sobre o levantamento perfeito:

“O levantamento de peso tem uma dimensão técnica. A segunda dimensão é neural. A terceira é mental. Mas existe um quarto passo, quando tudo isso se integra e transcende. Pra mim a execução muito integrada de um levantamento é um ato perfeito. Só vivi isso umas três vezes. Já não sou eu, não é o meu corpo, minha mente. Não tem peso na sua mão. Não tem mão! Uma dissolução tão grande que é como se o movimento fosse a única coisa acontecendo. E, por ser movimento, ele passa. Mas naquela hora não há temporalidade. É um momento de iluminação: você entende a natureza do movimento e, ao entender isso, você entende quem você é.” “

Meu objetivo é alcançar marcas cada vez mais expressivas para em futuro próximo participar de um campeonato mundial. A tarefa é árdua. Conciliar a gestão da academia, com aulas, treinamento, alimentação e família é complicado. Mas vejo essa busca como uma peça fundamental na minha carreira e também pessoalmente.

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MAD – Treinar atletas e treinar pessoas em busca de outros objetivos: é diferente? De que jeito?

Muito diferente. O atleta tem uma motivação intrínseca em ser cada vez melhor, então o desafio se torna escolher os meios e métodos de treinamento mais eficientes para os objetivos dele. Próximo à competição vem aquela expectativa, a prova definitiva se as escolhas foram acertadas ou não. Lidar com o público em geral requer outras habilidades. Creio que a principal delas é a capacidade de manter a adesão do aluno ao programa de treino. Então não basta ser um expert em métodos de treinamento e periodização, é preciso motivar, explicar, incentivar. Existe uma carga emocional e psicológica muito grande quando se trata do público em geral. Este aspecto no atleta é mais específico, está ligada à competição em si. No aluno comum é uma miríade de fatores: familiares, conjugais, financeiros etc. Acrescente a isto a reeducação alimentar que este aluno muito provavelmente deve fazer! De fato não é fácil.

André Giongo: lei, luta e esporte

André, onde e quando você nasceu? Conte um pouco como era sua infância, se você brincava muito na rua ou era um garoto videogame. O que você mais gostava de fazer?

Resposta:  Nasci em São Paulo no ano de 1976. Minha infância foi bem diferente do que vemos hoje em dia. Na minha época ainda não tinha vídeo games, brincávamos na rua jogando bola, brincando de policia e ladrão, esconde-esconde, pega-pega, siga o mestre entre outras brincadeiras.

Nessa época inventaram o primeiro vídeo game chamado Atari, porém nunca gostei de vídeo game, meu negocio era brincar na rua, ter aquela liberdade para correr, saltar, cair, se machucar…  

 

Quando você começou a praticar esportes? Quais eram? O que você gostava mais?

Resposta:  Comecei na escolinha de esportes do clube Banespa, onde aprendíamos todas as modalidades. A modalidade que eu mais gostava era o futebol.

Porém quando era pequeno adorava uma confusão e para aprender a me defender e “gastar energia” meu pai me levou para  conhecer o Judo, que pratiquei durantes uns anos. Depois voltei para o futebol e esportes de quadra.   

 

Como foi a sua relação com os vários esportes até chegar aos de força? Quais esportes você se interessa mais, mesmo sem praticar?

Resposta:  Até os quinze só praticava esportes de quadra, sendo o meu favorito o handball, o qual joguei durante algum tempo pelo Esporte Clube Sírio e  pelo Clube Banespa. Quando fiz quinze anos voltei a praticar luta e comecei a fazer capoeira com o Mestre Santana da Luna e lá conheci a Abadá-Capoeira do Mestre Camisa. Em São Paulo naquela época tinha um grupo de capoeirista comandos pelos capoeiristas  Peixe Cru e Tucano Preto que estavam entrando para o grupo Abadá. Treinava com eles aos sábados na USP. Nessa época começou a surgir em São Paulo o Jiu-jitsu, em meados de 1993/94. Porém o jiu-Jitsu era caro para se praticar e no  inicio apenas as academias “mais chiques” tinham esse  modalidade. Diminui os treinos de capoeira para praticar musculação pois queria ficar grande e forte. Logo na sequência, um conhecido do bairro começou a dar treino de Jiu-jitsu. Como tínhamos amigos em comum, acabei indo treinar Jiu-Jitsu com o Roberto Godoi, faixa marrom na CBA Academia. Treinei Jiu-Jitsu durante uns 4 anos, sendo 2 anos direto e 2 anos treinando e parando por causa do trabalho. Já tinha uma noção boa de chão e resolvi aprender Boxe. Comecei a treinar com o Atila Cebola, que puxava os treinos de boxe na extinta Godoi Macaco, onde treinei entre dois e três anos. Foi quando um amigo começou a dar aula de Muay Thai, o Gustavo Treta, na academia do Roney Alex, conhecido e renomado mestre de Muay Thai. Me convidou para treinar com ele, pois tinha uma  boa noção de mão e precisava aprender a chutar. Começamos a treinar na Av. Jandira onde o Mestre Roney Alex puxava os  treinos da equipe dele. Na sequência o Gustavo Treta arrumou uma academia para dar aula e fui com ele como assistente. Nesse período e através do Luiz Azeredo, vulgo Luizinho, que já estava na Chute Boxe e Gustavo Treta, também começou a fazer parte da Chute Boxe Sp. Nessa época as lutas ainda não tinham tanto espaço na mídia como hoje em dia. Foi aí que eu percebi que estava diante de um dilema: ganhar dinheiro ou fazer o que gostava. Acabei optando por fazer o que gostava, mesmo que isso me levasse a cursar outra faculdade e começar do zero tudo de novo.           

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Você estudou direito e depois Educação Física. Como foi essa opção? Você acha que o direito ajuda você a pensar o treinamento e o esporte?

Resposta:  Sou bacharel em dIreito, porém não tirei a OAB, pois quando me formei estagiava de manhã na Prefeitura de São Paulo na Regional da Sé e depois na Rgional da Vila Mariana e  trabalhava com atividade física, dando aula de Muay Thai e Musculação no período da tarde. Foi aí que percebi que minha praia era a dos esportes e não a jurídica. Então  voltei  a estudar e me formei em Educação Física.

O direito é uma faculdade que deveria ser obrigatória para todos,  pois ela abre muito a sua cabeça em relação aos seus direitos e deveres. E tem me ajudado muito na área da Educação Física, pois o Direito não é uma ciência exata, ele é muito subjetivo, pois depende da interpretação pessoal do que está escrito. A Educação Física também não é ciência exata e isso é o que mais me atrai nela,  pois cada aluno tem o seu tempo de  desenvolvimento, de aprendizagem, de aperfeiçoamento motor.    

 

Como você se define como treinador? O que é ser treinador para você?

Resposta: Sou uma pessoa  calma e bem paciente, porém como treinador  sou um cara exigente e até chato. Só paro de pegar no pé do aluno quando ele estiver realizando o exercício de maneira correta. Vou confessar uma coisa, gosto de ver o aluno sofrer, de sentir que ele esta se dedicando aos treinos e o mais gostoso é ver a cara de satisfação do aluno quando atinge um objetivo.

Ser treinador, na minha concepção, é incentivar o aluno a sempre estar fazendo o seu melhor, é ser um pouco psicólogo, amigo, irmão mais velho, dar conselhos e influencia-lo  de maneira positiva não só durante o treino para que ele seja uma pessoa melhor durante a sua vida, independente de estar treinando comigo ou não.      

 

Fale um pouco sobre o fisiculturismo, sua passagem por ele, e a herança para os demais esportes de força

Resposta: O fisiculturismo apareceu em minha vida na época  em que trabalhei na  Espártaco  Academia, como existiam muitos atletas que treinavam lá e depois de preparar um aluno para competir, resolvi botar a cara a tapa e competir também. Isso aconteceu em 2006: competi na Copa Corpo e Saúde da Academia Gaviões de Guarulhos, onde fui campeão da categoria Class I nível intermediário.  

Uma coisa que acredito é que para você poder falar de alguma coisa, ou trabalhar com algo você precisa conhecer, praticar, vivenciar. Por isso acredito que um bom professor tem que saber treinar, não precisa ser atleta, mas tem que, pelo menos colocar a mão na massa e treinar.

O fisiculturismo apesar de trabalhar com pesos é considerado uma  modelagem física, pois na hora da competição não depende da sua força para vencer, diferente de outros esportes de força onde o mais forte é testado na prova.        

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Musculação: o que é isso para você? Se você tivesse que transformara as salas de musculação no seu ideal, como faria?

Resposta: Hoje vejo a musculação com outros olhos. Quando comecei a treinar a musculação só servia para o praticante conseguir um corpo mais hipertrofiado e bonito. A musculação era muito mal estudada, existia um monte de restrições para quem quisesse praticar. Nos dias de hoje a musculação passou de um esporte mal visto, para um esporte que é indicado por cardiologistas,  por fisioterapeutas, por geriatras. Esses são apenas alguns exemplos de como podemos usar a musculação para melhorar a saúde de nossos alunos.

Minha sala de musculação seria com poucas máquinas e muito peso livre. Usaria as máquinas em determinadas situações que elas fossem realmente necessárias.  Exemplos leg press,  lat pull down,   Muitas gaiolas de agachamento, bancos de supinos, tablados para fazer o levantamento terra e os levantamentos olímpicos, kettelbel, elásticos, correntes, caixotes,  anilhas e barras.                 

 

Quem são seus ídolos no esporte? Com quem você mais aprendeu?

Resposta: Meus ídolos são:

Nas artes marciais o Hélio Gracie, que só começou a praticar o jiu-jitsu depois de alguns anos vendo seu irmão ministrar as aulas. E por ser muito pequeno e leve teve que aprimorar o jiu-jitsu para as suas  necessidades, surgindo assim o Brazilian jiu-jitsu ou Gracie jiu-jitsu.

No futebol o Ronaldo fenômeno pela sua força de vontade e superação dentro e fora dos gramados. Além de ter sido jogador do Corinthians meu time de coração. 

Cheguei onde queria, meus ídolos nos esporte de força, são José Carlos Vidal que tive a oportunidade estagiar e depois trabalhar com ele no Esporte Clube Sírio.. Uma pessoa humilde, de um conhecimento ímpar sobre os esportes de força, pois foi praticante de LPO  (com  alguns títulos regionais e nacionais), de powerlifting (vários títulos regionais,  nacionais e internacionais), luta de braço, mais conhecido como braço de ferro ( sendo campeão mundial algumas vezes com os dois braços)

E claro minha amiga e antiga parceira de treinos Marília Coutinho, a história de superação dela é impressionante. Uma mulher muito inteligente, corajosa e muito, mas muito forte.

Ela é a única mulher da América latina à ser campeã interfederativa ( ou seja todas as federações juntas) de agachamento em 2012 e é a atual campeã interfederativa de supino em duas categorias diferentes.               

Mestre Vidal Porão

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E a pergunta que não quer calar: por que você inventou a MAD? O que espera dela?

Resposta: A MAD surgiu durante um treino nosso, como sempre estávamos conversando sobre como poderíamos ganhar dinheiro fazendo o que gostávamos. Nessa época a Marilia já estava realizando o curso de 5 levantamentos com O Joel da CrossfitBrasil.  Pórem o crossfit cresceu muito rápido e como o Joel era um dos responsáveis pelo crossfit no Brasil ele acabou ficando sem tempo para fazer os cursos com a Marília. Foi daí que eu tive a idéia de criar uma equipe para ministrar os cursos de powerlifting, tendo como principal professor, claro que a própria Marília.   A idéia inicial era Marília como professora titular e eu apenas como ajudante, mas como estava trabalhando como personal e não tinha muito tempo extra para me dedicar a MAD, a Marília chamou um aluno que ela conheceu quando dava um  curso pela Gama Filho.  Assim surgiu a primeira formação da MAD, que passou algumas mudanças e agora contamos com uma série de professores muito bem qualificados e que além de saberem ensinar também praticam o que ensinam.               

 

 

Primeiros dois cursos do ano de 2015: Powerlifting 1 e 2 na Crossfit Sampa

O ano começou bem: nossos dois primeiros cursos contaram com gente de Goiás, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo.

A maioria, como sempre, de treinadores em espaços “alternativos” (será que ainda podemos usar este termo?): crossfits, studios de treinamento funcional ou personal trainers comprometidos com uma proposta integrativa.

Acredito que cada vez mais os cursos da MAD se mostram como espaços de troca e enriquecimento. Fugimos definitivamente do modelo de transmissão passiva de saber: estamos construindo à medida que ensinamos e aprendemos.

Quase todo mundo encontrou uma pisada nova, uma amplitude diferente ou toda a mecânica de seus levantamentos modificada. Isso é o que importa num curso como esse: as coisas que não se pode aprender lendo ou assistindo material de qualquer tipo de midia.

A gente chama isso de “conhecimento tácito”, em oposição a “conhecimento codificado”. É o corpo-a-corpo, literalmente, com quem tem um conteúdo para ser transmitido. Aquele ajuste fino que se faz com um chutinho, o beliscão nas costas que mostra onde focar a atenção para a melhor adução e depressão de escápula, o olho em cada mudança na velocidade da barra.

Minha preocupação é ao mesmo tempo que cada um de vocês ganhe em conhecimento e performance pessoal, mas também em técnicas de ensino de força para que amanhã possam passar esse saber para frente.

Embarcando na pergunta final do Vassalo, a forma como podemos mudar o mundo é essa: criando correntes e redes de transmissão de saber que não morram nunca.

Tenho muito orgulho de cada um de vocês, sem exceção.

 

Por que fazer os cursos da MAD?

Muita gente me pergunta por que um treinador precisaria aprender powerlifting para sua profissão. Então eu respondo: “mas eu não ensino powerlifting. Eu ensino padrões fundamentais de força e movimento”.

Então por que a equipe se chama MAD Powerlifting? Vamos começar por esta explicação e nos próximos tópicos detalhar melhor a natureza do que é nosso programa de educação continuada.

A MAD Powerlifting tem esse nome porque o esporte chamado POWERLIFTING é constituído de três disciplinas básicas: o agachamento, o supino e o levantamento terra. Cada um deles representa, de forma codificada e padronizada, um dos padrões fundamentais do alfabeto do movimento humano: agachar, empurrar e puxar.

A gente não ensina powerlifting porque a gente não ensina um ESPORTE. Nós utilizamos o repertório de gestos do esporte powerlifting, bem como de todos os seus exercícios assessórios, para cumprir a nossa missão:

  1. Recuperar padrões de movimento humano perdidos por uma vida cheia de violência postural, inatividade e lesão;
  2. Re-introduzir as diversas expressões da força humana;
  3. Dar ferramentas para o indivíduo se re-integrar e se re-apropriar da autonomia motora

Assim, em cada um dos nossos módulos exploramos um aspecto desta missão.

Por que fazer os cursos da MAD Powerlifting

Você – educador físico, professor, treinador de modalidades diversas, fisioterapeuta, estudante – está sob o bombardeio permanente de posters digitais de cursos dos mais diversos assuntos, todos lindos, coloridos e prometendo um upgrade sensacional na sua carreira e conhecimento.

Como escolher?

A gente sabe que isso não é simples. Você não conhece boa parte dos professores destes cursos.

Alguns cursos têm nomes sensacionais, os temas são tudo que você queria saber na vida. Vou contar um segredo para vocês: os nomes da maioria dos cursos são criados para isso. Existem pesquisas, surveys de comportamentos e atitudes, que detectam essas coisas. Aí é só inventar: “Treinamento funcional sub-aquático com plataforma instável”. “Cross-training meta-funcional metabólico com kettlebells”. “Treinamento cross-funcional para qualidade de vida”.

Pronto.

Tirando a piada, o título é o açúcar para atrair a multidão de gente confusa e perdida num mar de informação desorganizada, sem hierarquia e sem padrões meritocráticos.

Vamos traduzir isso: em qualquer campo técnico, o valor que deve prevalecer para o julgamento é o MÉRITO. O mérito, em campos técnicos, é medido através de indicadores. Em geral mede-se isso por uma ponderação entre o background acadêmico, a experiência de ensino e prática, e a excelência em performance.

Portanto sim, é importante você saber qual a formação de quem está lhe ensinando, onde e o que aprenderam, se produziram algo publicado, se têm experiência de ensino e se são bons no que fazem.

Resolvendo o problema de como julgar o curso no quesito professores (que às vezes pode importar mais que o tema), vamos aos temas.

Você realmente acha que um curso de Pilates sub-aquático cross-funcional vai dar um “up” na sua carreira? Sério mesmo?

Não vai.

O “up” na sua carreira virá de duas coisas: a primeira é você ganhar capacitação em atividades e saberes que você aplica no seu dia-a-dia. Agora entro com os exemplos dos nossos cursos: você está competindo com mais 43 candidatos a uma vaga de treinador de força e condicionamento. Entre você, que sabe corretamente as técnicas de agachamento, supino, levantamento terra, stiff e outros movimentos complexos, multi-articulares e funcionais, e o outro colega que sabe mal e porcamente executar três deles (de maneira errada, pois quase todos os nossos alunos chegam com erros importantes), qual estará em vantagem?

Você não tem que fazer um curso de powerlifting, natação ou kettlebell training para ser um powerlifter, um nadador ou um girevik. Você precisa fazer estes cursos porque são a base do treinamento. No caso do powerlifting, dos levantamentos de potência (levantamento de peso olímpico ou integrado) e dos kettlebells, porque simplesmente não existe treinamento de NADA sem estes movimentos.

Claro que é possível que você se depare com um empregador medíocre e mal formado que dará importância à “certificação” em Treinamento Cross-funcional em pliometria aplicada. Isso existe. E muito. Só que cada um destes modismos tem uma obsolescência imensa: em pouco tempo ninguém mais sabe o que era.

Já o que nós ensinamos, ensina-se desde sempre, pouco e você precisará deste saber para o resto da sua vida.

No próximo capítulo, falaremos por que o powerlifting é uma ferramenta de re-apropriação de memória motora perdida.

Marília

Feliz 2014 – um ano de muita força, harmonia e integração para você

A MAD Powerlifting nasceu em 2013. Assim, 2013 foi o melhor ano de sua história, por definição. Agora em sério, não poderíamos estar mais felizes com o balanço deste ano e mais otimistas com 2014. Em cinco cursos, três seminários, muitos artigos e vários programas e consultorias, a MAD enfrentou desafios, criou uma metodologia de ensino para os fundamentos básicos da força e do movimento humano, ensinou dezenas de pessoas a fazer força com mais técnica e consciência, disseminou uma filosofia sobre a força como base da integração corporal e teve o privilégio de acompanhar o encontro encantado de seus alunos com a própria força.

“Força” apareceu quatro vezes no parágrafo acima e foi deliberado: nosso negócio é a Força.

Vários de nossos alunos se tornaram atletas de powerlifting. Outros tantos continuaram sendo atletas de suas modalidades – esperamos que cada vez mais fortes e bem sucedidos.

Ao ensinar a Força, aprendemos tanto quanto ensinamos. Se 2013 pudesse ter um nome, seria Aprendizado. Aprendemos a ensinar, aprendemos a aprender, aprendemos a ser mais fortes e aprendemos a ajudar todo mundo a se encontrar com sua Força.

Fizemos atletas, fizemos amigos e fizemos novos parceiros. Acreditamos que são laços fortes, como é a natureza do que fazemos. Crossfits, Tribo Equipamentos e Powerworks vieram para ficar. Caminharemos juntos de cara para um ano cheio de novos desafios.

A todos vocês que tornaram possível a realização deste grande sonho e projeto, um Feliz 2014 cheio de Força e Integração.

 

Marilia – André – Diego = MAD