Precisamos falar sobre distância e tecnologia: treinamento e programação online – parte 1

Parte 1: por que a programação e treinamento online são uma opção cada vez mais atraente

Eu moro nos Estados Unidos. Hugo Quinteiro, meu parceiro de trabalho, treino e competição, no Brasil. Os alunos e atletas que nos contratam para treiná-los estão por toda parte: Venezuela, Austrália e pelo menos 4 estados do Brasil.

A realidade é que uma soma de fatores colocou a opção do treinamento e programação de treino online como a preferencial para uma parte significativa e crescente dos usuários deste serviço no primeiro mundo. Alguns destes fatores são fáceis de discutir e bons. Vamos a eles:

1.   A tecnologia da informação e os aplicativos para celulares e computadores permite um grau de interação cada vez maior entre treinador e atleta e aluno. Podemos observar o treino de um aluno em tempo real ou podemos repetir um vídeo dezenas de vezes até identificar todos os problemas no padrão de movimento. Podemos conversar – com voz e vídeo ou por texto – diáriamente com eles. Perto de uma competição, isso se torna crítico.

2.   O treino online programado requer a compra de um pacote e uma planilha periodizada. A verdade é que talvez essa seja uma das poucas oportunidades em que o aluno terá esse grau de cuidado com o seu treino. A imensa, esmagadora maioria dos personal trainers NÃO programa detalhadamente o treino de seus alunos. Isso não é necessariamente catastrófico, mas como Benjamin Franklin dizia, “fracassar ao planejar é o mesmo que planejar o fracasso”.

3.   Contratar um personal trainer ficou cada vez mais barato. Na academia que eu frequento, por US$80.00 a mais por mês, há uma promoção de disponibilidade ilimitada de um treinador pessoal. Isso pode fazer a hora do treinador cair para US$4.00. A maioria deles não tem formação acadêmica ou experiência em treinamento para oferecer um trabalho de qualidade. Sinceramente, por essa remuneração é impossível exigir qualquer coisa.

4.   O resultado disso é que os bons treinadores não estão necessariamente próximos a você. Por mais que seu treino seja essencial, ele também é obrigatoriamente consistente para funcionar, ou seja: você deve treinar de 3 a 5 vezes na semana. Se o seu treinador está a 3 horas de distância de você, de duas uma: ou você abdica de estudar ou trabalhar, ou muda para a cidade dele. Não é preciso ir tão longe: em São Paulo, se você tem que se deslocar por 1,5h para ir tantas outras para voltar do local onde está seu treinador, eventualmente você vai abandonar o treino porque ninguém tem 3-4 horas disponíveis só para esse deslocamento (considerando que você também se desloca para outros lugares durante o dia).

5. Boa parte dos bons treinadores no primeiro mundo já oferece as opções online e uma parte significativa tem muito mais alunos online do que presenciais. Um aluno presencial não dá mais trabalho do que um online, mas a demanda, para quem já tem um nome, é maior pelo treinamento online. O motivo inclui os ítens acima, mas também o fato de que é infinitamente mais barato: treinar com um bom treinador três vezes por semana pode custar, aqui, mais do que US$1200.00 por mês. Comprar um pacote de treino online para o mesmo período varia entre US$90-200.

Programar não é das coisas mais fáceis. Não basta dominar a literatura sobre periodização e princípios de treinamento: é preciso prática. Eu programo treinos há 10 anos. Sei disso porque recentemente enviei todas as minhas planilhas para um folder comum para uso da minha equipe e as primeiras datavam de 2006. Depois do nosso curso de periodização, tenho oportunidade de revisar os programas de alguns treinadores. Melhoram muito, mas para chegar no ponto em que temos a segurança sobre cada exercício de um programa é preciso bastante tempo de experiência com essa modalidade de treinamento.

Funciona. Se não funcionasse, não estaria crescendo. Não é um mundo fácil: hoje, qualquer atleta que suba no palco (bodybuilding) ou faça um bom total (powerlifting e weightlifting) já começa a oferecer treinamento online.

Nos próximos artigos, vou discutir para quem serve o treinamento e programação online e também como escolher seu treinador. Vamos discutir também como é montado o treino de um aluno à distância e como é monitorado.

O barato da certificação

Se você fizer os 6 níveis da MAD, você tem uma certificação em “powerlifting”? Não. Sabe por que? Porque é ilegal. Também é ilegal ter certificação em Pilates: a família do Pilates ganhou um processo há alguns anos que impede que isso aconteça. Você ganha um certificado de que fez um curso sobre força e condicionamento – um deles, dos vários que a gente oferece.

Parece que estamos dando um tiro no pé, já que todo mundo anda atrás de certificações. No entanto, apesar de admitirmos que aprendemos muito com a galera “esperta” em marketing, nós, da MAD, estamos pendendo para a linha do “marketing realista” (que tem essa inovação da honestidade).

A gente dá um certificado para vocês. Igualzinho a quem oferece “certificação”. Um dia, quando o curso se tornar uma especialização registrada no MEC-CAPES, você vai receber um DIPLOMA com carimbo do MEC. Com a mesma validade dos da Marilia Coutinho, Ph.D. ou doHugo Quinteiro – Powerlifter, de mestrado e doutorado.

A gente é contra certificações? Não, a gente não é. Mas na linha do marketing realista, a gente é obrigado a dizer para vocês que seu aluno (cliente) realmente não liga ou não sabe avaliar suas certificações. Isso é verdade no Brasil e nos Estados Unidos.

Aqui, nos Estados Unidos, para contratação em determinados cargos de coach, há uma lista de menos de meia dúzia de certificações que são consideradas importantes (veja entre os artigos da compilação abaixo). Numa boa, uma certificação supimpa em powerlifting não ajuda na briga a tapa por uma vaga de coach assistente num departamento esportivo de uma grande universidade. Personal trainer? Pfff…. todo mundo sabe que o que conta é o seu sucesso anterior com outros alunos (clientes). Seu aluno não sabe o que significam as siglas.

Então, colega, faça o curso da MAD pela QUALIFICAÇÃO que a gente oferece, e não pela CERTIFICAÇÃO. Quanto a essa, a gente promete que o certificado é bonitinho, em papel couche e que as pessoas que realmente manjam de treinamento no Brasil vão entender. Mas só eles. Seu aluno, não: para ele, é só mais um diploma na parede.

Strength and conditioning certifications: why and which matter, for what

Nota pública da MAD Powerlifting sobre manifestações em mídias sociais do aluno Fabricio

Pela primeira vez em muitas décadas somadas de experiência em ensino superior, tivemos um aluno que se descontrolou e difamou um dos professores e o curso (atacando, assim, a MAD Powerlifting). O aluno o fez em seus canais do Facebook e Instagram.

A boa metodologia pedagógica impede que estes conflitos ocorram: ainda que alunos não se sintam sempre à vontade, que entrem em conflito uns com os outros, há técnicas para administrar tudo harmonicamente. Esta metodologia pedagógica também dá ao professor recursos para que jamais o conflito se estenda a ele, pois de sua autoridade depende o bom andamento do curso. O professor de nível superior tem a responsabilidade de não permitir que qualquer perturbação ocorra, com diversos instrumentos pedagógicos para tal.

A MAD Powerlifting é um sistema de educação continuada em treinamento de força inédito no Brasil. Temos parceiros, mas não concorrentes diretos. Temos um grau relativamente alto de visibilidade no meio do treinamento físico.

O caso que enseja o presente esclarecimento é de um aluno específico, cuja agenda não é clara. Pode ser uma agenda comercial, política ou apenas uma situação de instabilidade emocional.

O aluno da MAD Powerlifting Fabrício Leão matriculou-se no primeiro semestre para o programa completo de seis níveis de nosso sistema de educação continuada em treinamento de força. No entanto, desde o primeiro dia, mostrou que tinha uma afiliação metodológica contrária à metodologia da MAD Powerlifting. Além disso, constrangeu os demais alunos, tornando necessário chamar atenção calmamente em aula, dizendo a ele que seria necessário que ele “controlasse sua necessidade de falar”, já que ele demonstrava um grau de ansiedade descontrolado, falando junto com a professora e junto com quaisquer alunos que se manifestassem.

É obrigação do professor encarregado da aula expositiva controlar tais manifestações, que podem ocorrer.

Durante as práticas de todos os cursos, o aluno Fabrício Leão não conseguia conter sua necessidade de expressar sua filiação ao sistema de Charles Poliquin, tornando totalmente impossível ensina-lo a agachar, entre outros movimentos.

Não apenas o aluno não se permitiu qualquer oportunidade de aprendizado, como passou a buscar influenciar os demais alunos, os quais manifestaram, em particular, desconforto com a situação.

No dia 12 de setembro, durante o curso nível 3 da MAD Powerlifting, o aluno Fabricio Leão mais uma vez insistiu em executar o movimento do agachamento de maneira inconsistente com nossa metodologia, reiterando sua filiação ao sistema Poliquin.

Foi então que a Dra. Marilia Coutinho desautorizou o sistema em nosso curso, fato que já havia sido repetido, inclusive por e-mail, para todos os alunos: nenhum “guru” de treinamento seria discutido ou admitido em sala de aula.

O aluno Fabrício se retirou e fez pelo menos 5 postagens difamando a MAD Powerlifting e atacando sua treinadora chefe, Dra. Marília Coutinho.

Meses atrás, um consultor de marketing havia previsto que em breve alguém se matricularia como aluno com o único intuito de gerar controvérsia com a Dra. Marília, com a finalidade de se promover. Em marketing, poucas coisas são mais eficientes do que a controvérsia envolvendo uma autoridade no campo.

Assim, o comportamento do aluno Fabrício Leão nos sugere algumas dúvidas:

1.   Por que uma pessoa que é filiada a um sistema rigorosamente oposto à metodologia da MAD Powerlifting se matricularia em nosso programa se não fosse para criar situações de conflito?

2.   Por que esta pessoa seguidamente provocaria a professora chefe com interrupções e tentativas de se antecipar às suas explicações, mesmo diante do desconforto dos alunos?

3.   Por que esta mesma pessoa insistiria, em mídia social, em marcar os professores da MAD junto com seus adversários intelectuais, como se estivessem todos em situação de igualdade?

Deixamos propositalmente estas dúvidas em aberto. Elas sugerem possíveis respostas, porém não temos dados concretos para produzir nenhuma conclusão definitiva.

Ficam as perguntas, inevitáveis, discutidas com alunos e simpatizantes.

O investimento do aluno para os cursos finais foi integralmente reembolsado. Prometemos a nossos alunos que daqui por diante, qualquer comportamento suspeito no primeiro curso do programa fará com que não aceitemos mais a inscrição do aluno no restante do programa. Ninguém mais será exposto ao desconforto que o aluno Fabrício impôs a nossos alunos.

Este assunto termina aqui. Qualquer reação do aluno Fabrício será administrada segundo orientação de nossos advogados. Nenhum “bate-boca” digital ocorrerá.

Atenciosamente,

Equipe MAD Powerlifting

OBS – a imagem é o espaço onde estavam os Buddhas de Bamiyan, figuras esculpidas na rocha no século VI e destruidas pelo Taliban

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Sobre discussões técnicas em aula ou ambiente digital

Achei por bem abordar o assunto hoje, até porque eu sumi das discussões digitais e algumas pessoas me perguntam o motivo. A maior parte nem pergunta mais: tem sido complicado dar conta de tanta coisa nesse momento.

Quando há necessidade e eu sou chamada, no entanto, eu apareço e esclareço a questão técnica em questão. Acho que é o meu papel.

O motivo deste artigo é chamar atenção para um fenômeno que venho observando como padrão, ao longo dos meus vinte e tantos anos como professora de ensino superior: é o indivíduo que projeta na discussão um desconforto interno. Creio que quase todo leitor vai recordar de algum exemplo ao longo do texto.

Abre-se um tópico, pessoas comentam ou fazem perguntas. Então vem um sujeito (ou mais) e faz, em geral, um comentário crítico. Leva tempo para entender exatamente qual é o foco da crítica, porque o texto ou discurso do interlocutor é longo e elaborado. No entanto, está lá: há uma crítica. O grupo ou outro interlocutor responde. Em seguida, aquele mesmo indivíduo apresenta outro ponto de crítica, não relacionado ao primeiro. Também bem elaborado.

Se não houver uma moderação objetiva e “de professor”, em pouco tempo o que deveria ser uma discussão coletiva vira um diálogo. E aquele indivíduo expressa um rosário de desconfortos com o tema, o texto, o autor, seja lá o que for.

Eu vi isso acontecer umas… centenas de vezes. É mais chato em aula presencial, porque em 10 minutos o resto da classe começa a se mexer na cadeira. Nasce o desconforto contra o desconforto. As pessoas em geral não levantam a mão para solicitar: “professora, isso está enchendo o saco e não me interessa. Daria para voltar para a aula?” Quando isso acontece é sinal que a gente, como professor, falhou em exercer a autoridade.

E aí a aula degenera: começa um conflito entre o sujeito original cheio de desconfortos e vários outros alunos.

Outro padrão é o do aluno que resolve ser o foco das atenções e dar aula junto com o professor. Tem professor que é devorado por esse tipo de aluno. A turma detesta. É aquele aluno que tem algo para dizer sobre tudo, o tempo todo, e faz questão de exibir erudição sobre todos os tópicos. O professor, com a vantagem de estar de frente para a classe, percebe o olhar de ódio dos demais alunos, que estão fantasiando enforcar a estrelinha. Por incrível que pareça, isso acontece até mesmo em cursos caros e pagos.

Eu tenho um certo orgulho em dizer que isso não acontece nas minhas aulas. Eu percebo rapidamente a coisa. Principalmente porque, no presencial, eu olho todos os alunos nos olhos.

Pois bem, eu não deixo isso acontecer. A questão de ser ou não autoritária é uma não-questão: é minha obrigação garantir o espaço de todos, reprimindo relativamente a expressão destes indivíduos quando invadem e pervertem a discussão geral. São pessoas que só vão conseguir superar este comportamento quando entenderem que é a manifestação de uma neurose sua, e decidirem trabalhá-la com um terapeuta. A classe não é espaço para isso. Nem o grupo digital.

É isso.

Entrevista com Vinicius Barbosa

MAD – Fale um pouco sobre você, Vinicius: onde e quando nasceu, como foi sua infância e como é sua família.

Sou de Goiânia, Goiás. Nasci em 1985, quando as crianças brincavam muito mais nas ruas e computadores e jogos eletrônicos ainda estavam por vir. Joguei muito “golzinho” na rua do prédio em que eu morava, rodava o bairro de bicicleta e patins, adorava artes marciais – pratiquei caratê durante alguns anos – e também fiz natação. Os jogos contra outros prédios do bairro nos campos de terra renderam momentos inesquecíveis! Na escola nunca me furtei de participar das modalidades da educação física obrigatória: futsal, basquete, handebol e vôlei. Foi uma infância movimentada, eu diria.  Do tipo que não se vê mais hoje em dia.

MAD – Quando você era pequeno, o que mais interessava você?

Eu adorava artes marciais. Assistia a todos os filmes do gênero e praticava caratê. Também jogava muito futebol.  A gente chutava bola de meia, tampinha de garrafa, fazia golzinho na rua, campo de terra, e tudo mais que se podia inventar. Mas eu dividia estas atividades com o vídeo game, era a época de ouro do Super Nintendo e depois a primeira geração do Playstation. Eu não sei como conseguíamos fazer tanta coisa naquela época! Em meados da década de 90 ganhei meu primeiro PC. Aquilo me fascinou; passei a dizer que queria me formar e trabalhar com computação. E mais tarde foi justamente o primeiro caminho que segui profissionalmente.

MAD – Escolha profissional: como você escolheu o que estudar e como foi a “primeira carreira”?

No 2º ano do ensino médio entrei no curso técnico de Telecomunicações, já pensando na Engenharia de Computação que pretendia cursar posteriormente. Terminado o curso de Telecom ingressei, via concurso, na Celg (Companhia de Energia Elétrica de Goiás) e ao mesmo tempo iniciei meus estudos em engenharia de computação na Universidade Federal de Goiás. Foram mais de 5 anos de curso superior no qual, embora eu tivesse boas notas e tenha feito grandes amizades, eu nunca me senti integrado naquele mundo. Um indício disto era minha falta de interesse em assuntos de computação e programação fora do currículo escolar. Eu até estudava! Me graduei com média global acima de 8. Razoável, não? Mas aquilo não era minha vocação. Acredito que o relativo sucesso nos estudos vieram da minha educação de base, mas não de um talento para mexer com computação.

MAD – Você fez uma das coisas consideradas mais ousadas na nossa sociedade super-especializada: trocou de profissão. O que motivou você a fazer isso?

Eu tinha meu diploma em engenharia de computação e um emprego estável. Mas não estava feliz! Não exercia uma função que me fosse gratificante, fazia muitas horas-extras, e foi crescendo um sentimento de insatisfação. O momento de tomar uma decisão mais drástica era aquela. Eu sabia que esta decisão significaria dar vários passos para trás até recuperar a estabilidade financeira e profissional que eu já havia conquistado. Mas eu estava com vinte e poucos anos ainda! O momento de arriscar era aquele, eu não poderia me acomodar naquela zona de conforto ilusória. Com o suporte da minha esposa (sem ela nada disto seria possível), iniciei um projeto totalmente novo, tanto pessoalmente quanto para o mercado “fitness”: abri a Arena Performance, um centro de treinamento pautado nos exercícios livres com barra e kettlebells. Este desafio duplo tornou a jornada ainda mais complicada. Primeiramente eu entrava em um campo profissional e em um mercado totalmente estranho, sobre o qual eu conhecia muito pouco. Como se não bastasse, escolhi seguir uma linha de treinamento que o grande público ignorava e ainda desconhece bastante. Quando fundei a Arena Performance não havia ocorrido este “boom” do Crossfit aqui no Brasil, tornando a adesão de novos alunos ainda mais difícil. O que me fez perseverar neste caminho foi uma certa vocação: quando você é chamado a fazer algo que vai além de qualquer recompensa imediata, que de alguma forma você não consegue deixar de fazê-lo. Confesso que já pensei em desistir. Mas não o fiz porque depois que trilhei este caminho, não me imagino fazendo outra coisa.

MAD – Por que força é tão importante?

Ser forte para mim está ligado a todas as decisões e aos rumos que tomaram minha vida desde que conheci o treino de força. Então não significa apenas ter músculos ou levantar mais carga. Eu escolhi ensinar as pessoas a se tornarem mais fortes, mostrar a elas que há mais para se ganhar do que apenas estética. A força está no CERNE de todo ser humano e as pessoas precisam redescobrir isto.

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MAD – Você escreve bastante sobre métodos de treinamento. Qual foi sua motivação para “fazer diferente”?

O treinamento tradicional feito em aparelhos nunca me chamou a atenção. Entrei na academia para me manter ativo. Estava sedentário, já não praticava com regularidade nenhum esporte, e a academia tradicional era a opção mais fácil para retomar algum nível de atividade física. Não satisfeito com aquela rotina nos aparelhos, comecei a pesquisar sobre treinamento físico e descobri outro mundo: o treinamento com pesos livres (levantamento básico, olímpico e kettlebells). Entrei de cabeça neste mundo, estudando e praticando. Aquilo sim fazia sentido! Treinar o corpo de forma integrada, através de movimentos que são o padrão fundamental da nossa motricidade e da nossa fisiologia. Eu olhava ao meu redor e não via absolutamente uma alma fazendo nada daquilo; professores instrutores das academias também totalmente alheios. Eu vi que eu poderia fazer diferente e melhor.

MAD – Arena: como está sendo a experiência de uma proposta alternativa? Quem é seu público? Como você vê o “fitness alternativo” no Brasil?

Tem sido bastante desafiador alavancar um projeto como a Arena. As mídias sociais e a popularização do crossfit têm ajudado bastante. Este ao utilizar muito dos exercícios que também utilizamos e por adotar um visual mais rústico apresenta um modelo de fitness para a sociedade que se parece com a nossa proposta, eliminando muito do estranhamento inicial e rejeição; as mídias sociais garantem uma exposição e divulgação únicas, fundamental no processo de formação e comunicação com o público que está insatisfeito com as academias tradicionais e buscam alternativa. O “fitness alternativo” está crescendo, mas tem sido parasitado pelas academias tradicionais, que abrem espaços específicos para a prática do que chamam de aulas de “funcional” e “cross”. Estes espaços, no entanto, não representam uma quebra de paradigma em como pensar o treinamento, mas simplesmente é uma resposta ao modismo, uma opção a mais entre quinhentas outras modalidades que a academia oferece ao aluno. Resumindo: uma jogada de marketing. Centros de treinamento que verdadeiramente fazem diferente existem, ainda são poucos, mas muito promissores.

MAD – A carreira de atleta de powerlifting: como foi subir no tablado pela primeira vez? E agora, para onde vai?

Escrevi em meu blog à época do primeiro campeonato que participei. Ali está registrada a experiência ainda fresca na memória, com os sentimentos mais aflorados. Transcrevo abaixo:

“…foi uma das experiências mais marcantes da minha vida. Impossível descrever em palavras o que aconteceu. Fiz um agachamento 10kg e um terra 15kg mais pesados que meus máximos de treino, e se eu já relatei aqui como é diferente a dinâmica do treino de força – regularmente testando seus limites, se superando treino após treino, vivendo momentos marcantes e ficando cada vez mais forte a cada ciclo de treinamento – absolutamente NADA se compara ao momento em que você completa uma repetição máxima em um tablado competitivo, em um meet de powerlifing. Não se trata ali de superar adversários, de ganhar ou sair premiado. Não. Trata-se antes de, por alguns segundos, se desligar completamente de toda complexidade mental e emotiva com as quais nos cercamos, e contemplar a essência física de SER humano. Ainda fico meio atônito, me pego muitas vezes com cara de paisagem, olhar longe e coração meio acelerado quando paro para reviver aquelas horas. Como consequência de tudo isso, a motivação e o foco para treinar estão em outro nível, muito mais elevados, e a própria experiência de treino está diferente… Enquanto escrevia este post, me recordei desta entrevista com a Marilia Coutinho, na qual ela fala sobre o levantamento perfeito:

“O levantamento de peso tem uma dimensão técnica. A segunda dimensão é neural. A terceira é mental. Mas existe um quarto passo, quando tudo isso se integra e transcende. Pra mim a execução muito integrada de um levantamento é um ato perfeito. Só vivi isso umas três vezes. Já não sou eu, não é o meu corpo, minha mente. Não tem peso na sua mão. Não tem mão! Uma dissolução tão grande que é como se o movimento fosse a única coisa acontecendo. E, por ser movimento, ele passa. Mas naquela hora não há temporalidade. É um momento de iluminação: você entende a natureza do movimento e, ao entender isso, você entende quem você é.” “

Meu objetivo é alcançar marcas cada vez mais expressivas para em futuro próximo participar de um campeonato mundial. A tarefa é árdua. Conciliar a gestão da academia, com aulas, treinamento, alimentação e família é complicado. Mas vejo essa busca como uma peça fundamental na minha carreira e também pessoalmente.

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MAD – Treinar atletas e treinar pessoas em busca de outros objetivos: é diferente? De que jeito?

Muito diferente. O atleta tem uma motivação intrínseca em ser cada vez melhor, então o desafio se torna escolher os meios e métodos de treinamento mais eficientes para os objetivos dele. Próximo à competição vem aquela expectativa, a prova definitiva se as escolhas foram acertadas ou não. Lidar com o público em geral requer outras habilidades. Creio que a principal delas é a capacidade de manter a adesão do aluno ao programa de treino. Então não basta ser um expert em métodos de treinamento e periodização, é preciso motivar, explicar, incentivar. Existe uma carga emocional e psicológica muito grande quando se trata do público em geral. Este aspecto no atleta é mais específico, está ligada à competição em si. No aluno comum é uma miríade de fatores: familiares, conjugais, financeiros etc. Acrescente a isto a reeducação alimentar que este aluno muito provavelmente deve fazer! De fato não é fácil.

A nova ordem do Programa de Educação Continuada em Força da MAD Powerlifting

Curto e simples: fizemos o que a lógica requer e colocamos o curso sobre Periodização como último na sequência. Agora as explicações.

Os seis primeiros cursos são numerados e chamam-se “Powerlifting (número X)”. Como pode-se observar pela descrição abaixo, esse nome é uma referência ao nome da MAD Powerlifting e não um programa de formação no esporte powerlifting.

A nova estrutura do nosso programa é a seguinte:

 

Número e ordem Sub-título / nome
Powerlifting 1 Fundamentos básicos da força
Powerlifting 2 Segmentação de movimentos e exercícios assessórios
Powerlifting 3 Força e estabilidade: exercícios assessórios com equipamentos (elásticos, correntes, boards, bamboo bar, etc)
Powerlifting 4 Força e hipertrofia: outros exercícios bom barras e anilhas
Powerlifting 5 Pegada
Powerlifting 6 Periodização
Strongman Treinamento com objetos alternativos e Strongman

 

O motivo deste deslocamento do curso de periodização para o final do programa básico é óbvio: é importante conhecer os vários componentes do treinamento de força baseado nas ferramentas dos movimentos básicos para poder planejar, programar e periodizar.

O motivo pelo qual este curso não era o final é histórico: a MAD começou em 2013 com um curso. Depois se transformou em dois, sendo o segundo o de força e hipertrofia. Muito rapidamente ficou claro que os assessórios para os três movimentos básicos requeriam um outro curso, ou melhor dois. Assim, já tínhamos quatro cursos. Esse era o núcleo básico. Com a demanda sobre periodização, ficamos com cinco e o curso de pegada veio em seguida. O núcleo básico ficou sendo o de fundamentos básicos, estabilidade e segmentação, junto com periodização. Força e hipertrofia ficou num fim de semana com periodização. Todos os alunos apontaram a inadequação desta ordem. Como a gente escuta nossos alunos, mudamos.

André Giongo: lei, luta e esporte

André, onde e quando você nasceu? Conte um pouco como era sua infância, se você brincava muito na rua ou era um garoto videogame. O que você mais gostava de fazer?

Resposta:  Nasci em São Paulo no ano de 1976. Minha infância foi bem diferente do que vemos hoje em dia. Na minha época ainda não tinha vídeo games, brincávamos na rua jogando bola, brincando de policia e ladrão, esconde-esconde, pega-pega, siga o mestre entre outras brincadeiras.

Nessa época inventaram o primeiro vídeo game chamado Atari, porém nunca gostei de vídeo game, meu negocio era brincar na rua, ter aquela liberdade para correr, saltar, cair, se machucar…  

 

Quando você começou a praticar esportes? Quais eram? O que você gostava mais?

Resposta:  Comecei na escolinha de esportes do clube Banespa, onde aprendíamos todas as modalidades. A modalidade que eu mais gostava era o futebol.

Porém quando era pequeno adorava uma confusão e para aprender a me defender e “gastar energia” meu pai me levou para  conhecer o Judo, que pratiquei durantes uns anos. Depois voltei para o futebol e esportes de quadra.   

 

Como foi a sua relação com os vários esportes até chegar aos de força? Quais esportes você se interessa mais, mesmo sem praticar?

Resposta:  Até os quinze só praticava esportes de quadra, sendo o meu favorito o handball, o qual joguei durante algum tempo pelo Esporte Clube Sírio e  pelo Clube Banespa. Quando fiz quinze anos voltei a praticar luta e comecei a fazer capoeira com o Mestre Santana da Luna e lá conheci a Abadá-Capoeira do Mestre Camisa. Em São Paulo naquela época tinha um grupo de capoeirista comandos pelos capoeiristas  Peixe Cru e Tucano Preto que estavam entrando para o grupo Abadá. Treinava com eles aos sábados na USP. Nessa época começou a surgir em São Paulo o Jiu-jitsu, em meados de 1993/94. Porém o jiu-Jitsu era caro para se praticar e no  inicio apenas as academias “mais chiques” tinham esse  modalidade. Diminui os treinos de capoeira para praticar musculação pois queria ficar grande e forte. Logo na sequência, um conhecido do bairro começou a dar treino de Jiu-jitsu. Como tínhamos amigos em comum, acabei indo treinar Jiu-Jitsu com o Roberto Godoi, faixa marrom na CBA Academia. Treinei Jiu-Jitsu durante uns 4 anos, sendo 2 anos direto e 2 anos treinando e parando por causa do trabalho. Já tinha uma noção boa de chão e resolvi aprender Boxe. Comecei a treinar com o Atila Cebola, que puxava os treinos de boxe na extinta Godoi Macaco, onde treinei entre dois e três anos. Foi quando um amigo começou a dar aula de Muay Thai, o Gustavo Treta, na academia do Roney Alex, conhecido e renomado mestre de Muay Thai. Me convidou para treinar com ele, pois tinha uma  boa noção de mão e precisava aprender a chutar. Começamos a treinar na Av. Jandira onde o Mestre Roney Alex puxava os  treinos da equipe dele. Na sequência o Gustavo Treta arrumou uma academia para dar aula e fui com ele como assistente. Nesse período e através do Luiz Azeredo, vulgo Luizinho, que já estava na Chute Boxe e Gustavo Treta, também começou a fazer parte da Chute Boxe Sp. Nessa época as lutas ainda não tinham tanto espaço na mídia como hoje em dia. Foi aí que eu percebi que estava diante de um dilema: ganhar dinheiro ou fazer o que gostava. Acabei optando por fazer o que gostava, mesmo que isso me levasse a cursar outra faculdade e começar do zero tudo de novo.           

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Você estudou direito e depois Educação Física. Como foi essa opção? Você acha que o direito ajuda você a pensar o treinamento e o esporte?

Resposta:  Sou bacharel em dIreito, porém não tirei a OAB, pois quando me formei estagiava de manhã na Prefeitura de São Paulo na Regional da Sé e depois na Rgional da Vila Mariana e  trabalhava com atividade física, dando aula de Muay Thai e Musculação no período da tarde. Foi aí que percebi que minha praia era a dos esportes e não a jurídica. Então  voltei  a estudar e me formei em Educação Física.

O direito é uma faculdade que deveria ser obrigatória para todos,  pois ela abre muito a sua cabeça em relação aos seus direitos e deveres. E tem me ajudado muito na área da Educação Física, pois o Direito não é uma ciência exata, ele é muito subjetivo, pois depende da interpretação pessoal do que está escrito. A Educação Física também não é ciência exata e isso é o que mais me atrai nela,  pois cada aluno tem o seu tempo de  desenvolvimento, de aprendizagem, de aperfeiçoamento motor.    

 

Como você se define como treinador? O que é ser treinador para você?

Resposta: Sou uma pessoa  calma e bem paciente, porém como treinador  sou um cara exigente e até chato. Só paro de pegar no pé do aluno quando ele estiver realizando o exercício de maneira correta. Vou confessar uma coisa, gosto de ver o aluno sofrer, de sentir que ele esta se dedicando aos treinos e o mais gostoso é ver a cara de satisfação do aluno quando atinge um objetivo.

Ser treinador, na minha concepção, é incentivar o aluno a sempre estar fazendo o seu melhor, é ser um pouco psicólogo, amigo, irmão mais velho, dar conselhos e influencia-lo  de maneira positiva não só durante o treino para que ele seja uma pessoa melhor durante a sua vida, independente de estar treinando comigo ou não.      

 

Fale um pouco sobre o fisiculturismo, sua passagem por ele, e a herança para os demais esportes de força

Resposta: O fisiculturismo apareceu em minha vida na época  em que trabalhei na  Espártaco  Academia, como existiam muitos atletas que treinavam lá e depois de preparar um aluno para competir, resolvi botar a cara a tapa e competir também. Isso aconteceu em 2006: competi na Copa Corpo e Saúde da Academia Gaviões de Guarulhos, onde fui campeão da categoria Class I nível intermediário.  

Uma coisa que acredito é que para você poder falar de alguma coisa, ou trabalhar com algo você precisa conhecer, praticar, vivenciar. Por isso acredito que um bom professor tem que saber treinar, não precisa ser atleta, mas tem que, pelo menos colocar a mão na massa e treinar.

O fisiculturismo apesar de trabalhar com pesos é considerado uma  modelagem física, pois na hora da competição não depende da sua força para vencer, diferente de outros esportes de força onde o mais forte é testado na prova.        

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Musculação: o que é isso para você? Se você tivesse que transformara as salas de musculação no seu ideal, como faria?

Resposta: Hoje vejo a musculação com outros olhos. Quando comecei a treinar a musculação só servia para o praticante conseguir um corpo mais hipertrofiado e bonito. A musculação era muito mal estudada, existia um monte de restrições para quem quisesse praticar. Nos dias de hoje a musculação passou de um esporte mal visto, para um esporte que é indicado por cardiologistas,  por fisioterapeutas, por geriatras. Esses são apenas alguns exemplos de como podemos usar a musculação para melhorar a saúde de nossos alunos.

Minha sala de musculação seria com poucas máquinas e muito peso livre. Usaria as máquinas em determinadas situações que elas fossem realmente necessárias.  Exemplos leg press,  lat pull down,   Muitas gaiolas de agachamento, bancos de supinos, tablados para fazer o levantamento terra e os levantamentos olímpicos, kettelbel, elásticos, correntes, caixotes,  anilhas e barras.                 

 

Quem são seus ídolos no esporte? Com quem você mais aprendeu?

Resposta: Meus ídolos são:

Nas artes marciais o Hélio Gracie, que só começou a praticar o jiu-jitsu depois de alguns anos vendo seu irmão ministrar as aulas. E por ser muito pequeno e leve teve que aprimorar o jiu-jitsu para as suas  necessidades, surgindo assim o Brazilian jiu-jitsu ou Gracie jiu-jitsu.

No futebol o Ronaldo fenômeno pela sua força de vontade e superação dentro e fora dos gramados. Além de ter sido jogador do Corinthians meu time de coração. 

Cheguei onde queria, meus ídolos nos esporte de força, são José Carlos Vidal que tive a oportunidade estagiar e depois trabalhar com ele no Esporte Clube Sírio.. Uma pessoa humilde, de um conhecimento ímpar sobre os esportes de força, pois foi praticante de LPO  (com  alguns títulos regionais e nacionais), de powerlifting (vários títulos regionais,  nacionais e internacionais), luta de braço, mais conhecido como braço de ferro ( sendo campeão mundial algumas vezes com os dois braços)

E claro minha amiga e antiga parceira de treinos Marília Coutinho, a história de superação dela é impressionante. Uma mulher muito inteligente, corajosa e muito, mas muito forte.

Ela é a única mulher da América latina à ser campeã interfederativa ( ou seja todas as federações juntas) de agachamento em 2012 e é a atual campeã interfederativa de supino em duas categorias diferentes.               

Mestre Vidal Porão

marilia+andre

E a pergunta que não quer calar: por que você inventou a MAD? O que espera dela?

Resposta: A MAD surgiu durante um treino nosso, como sempre estávamos conversando sobre como poderíamos ganhar dinheiro fazendo o que gostávamos. Nessa época a Marilia já estava realizando o curso de 5 levantamentos com O Joel da CrossfitBrasil.  Pórem o crossfit cresceu muito rápido e como o Joel era um dos responsáveis pelo crossfit no Brasil ele acabou ficando sem tempo para fazer os cursos com a Marília. Foi daí que eu tive a idéia de criar uma equipe para ministrar os cursos de powerlifting, tendo como principal professor, claro que a própria Marília.   A idéia inicial era Marília como professora titular e eu apenas como ajudante, mas como estava trabalhando como personal e não tinha muito tempo extra para me dedicar a MAD, a Marília chamou um aluno que ela conheceu quando dava um  curso pela Gama Filho.  Assim surgiu a primeira formação da MAD, que passou algumas mudanças e agora contamos com uma série de professores muito bem qualificados e que além de saberem ensinar também praticam o que ensinam.               

 

 

Ensinando força: o programa pedagógico da MAD Powerlifting

Ontem realizamos mais uma edição do módulo 1 de nossos cursos sobre Powerlifting e os fundamentos da força. A construção do modelo pedagógico que adotamos, distribuição de conteúdos práticos e teóricos e organização das turmas levou cerca de um ano de tentativas e alguns erros. O bom senso acadêmico requer que consideremos sempre que se trata de algo “provisoriamente bom”, ou seja, sempre passível de melhorias. No momento, este “provisoriamente bom” se organiza em quatro níveis de cursos em sequência e três independentes.

 

Nível Conteúdo teórico Conteúdo prático
1 Conceito de força, transferência,  capacidades funcionais, movimento e treinamento Técnicas e fundamentos dos três levantamentos básicos : agachamento, supino e terra
2 Segmentação do gesto, adaptação neural, aprendizado motor, planejamento do treino Exercícios auxiliares dos levantamentos básicos: deads, finalizações, exercícios para lift-off, bom-dia e outros
3 Estabilidade e força, coordenação e equilíbrio Exercícios auxiliares utilizando equipamentos: corrrentes, elásticos, pesos instáveis
4 Teoria geral da adaptação, supercompensação, preparação desportiva, escolas de periodização Produção de uma proposta de periodização para atleta hipotético

 

Número Conteúdo teórico Conteúdo prático
5 Força e hipertrofia Exercícios com barras e anilhas além dos “3 grandes”: os outros agachamentos, desenvolvimento militar, remada curvada, rosca direta, avanço
6 Pegada – anatomia funcional da pegada humana; a pegada e a saúde; pegada e performance Exercícios para melhoria da pegada
7 Stongman e objetos alternativos – a escala de repertórios de gestos quanto à previsibilidade e instabilidade, suas aplicações e importância Introdução ao treinamento baseado em Strongman com objetos alternativos em 6 estações de tipos cinesiológicos

 

Na primeira tabela, o “nível 1” (Powerlifting – fundamentos básicos da força) é um curso onde o foco da aula expositiva é a natureza do movimento, da força, de sua perda e re-apropriação. É importante que fique claro que não se trata de um curso sobre o esporte powerlifting, mas sim um curso sobre os fundamentos da força onde a ferramenta é o repertório de gestos codificados neste esporte para agachar, empurrar e puxar.

A aula prática, que toma 80% do tempo do curso, como em quase todos os cursos da MAD Powerlifting, é uma introdução à execução tecnicamente mais adequada do agachamento, do supino e do levantamento terra. Quando dizemos “mais adequada” é porque existem alguns itens de execução que são válidos de forma universal, porém a individualidade biológica é o que determina como eles podem ser aplicados aos movimentos de cada pessoa.

O curso “nível 2” apresenta os mesmos movimentos de forma mais aprofundada, segmentando-os e discutindo as bases cinesiológicas para tal. Ao apresentar a segmentação do gesto, introduzimos reflexões sobre o planejamento de um treino de força considerando que o aprendizado e treinamento não percorrem um curso linear através de todos os aspectos e fases dos movimentos.

A aula prática do curso nível 2 é constituída de diversos exercícios que podem ser considerados “assessórios” ao powerlifting, mas têm uma importância, validade e aplicabilidade independentes dele. Apresentamos os “deads” (dead squat e dead bench), que são os agachamentos e supinos onde a fase concêntrica precede a excêntrica, fazendo com que se transformem num desafio de acelerar uma carga a partir de velocidade zero (peso “morto”); introduzimos outros agachamentos que não o tradicional pelas costas; apresentamos vários exercícios para a finalização dos movimentos e, ao contrário, para seu início (“lift-off”).

O curso “nível 3” (Powerlifting – equipamentos para exercícios assessoórios) tem como foco da aula expositiva o conceito e importância da estabilidade e eficiência de um movimento. A partir deste conceito, apresentamos os vários equipamentos e exercícios que são trabalhados na aula prática: correntes, elásticos, pesos em movimento pendular alterando o posicionamento da barra, entre outros.

Finalmente, o curso “nível 4” (Periodização) é um curso que foge um pouco ao padrão dos anteriores, onde a parte prática não envolve necessariamente a execução de nada físico. Nele, a aula expositiva, que representa uma proporção um pouco maior do tempo total do curso, apresenta os conceitos de adaptação e supercompensação, entre outros princípios do treinamento, e os diversos modelos de periodização. A tarefa prática consiste em elaborar uma proposta de mesociclo competitivo para um atleta hipotético, com um calendário hipotético. A classe toda discute as propostas de cada aluno depois de executada a tarefa.

O curso número 5, “força e hipertrofia”, discute esta relação tão mal entendida no mundo do treinamento. Na aula prática, apresentamos os diversos exercícios com barras e anilhas que podem e devem ser utilizados regularmente num programa de treinamento preocupado com a hipertrofia muscular.

O curso número 6, “pegada”, apresenta, pela primeira vez no Brasil, este tema tão fundacional na saúde e na performance como um programa de aprendizado. Na aula expositiva, apresentamos dados evolutivos, anatômicos e cinesiológicos sobre a pegada humana e discutimos seu papel na saúde e na doença, na performance e na perda da performance. A aula prática consiste de exercícios para pegada, com foco no tipo de transferência para gestos específicos que eles permitem.

O curso número 7, “Strongman e treinamento com objetos alternativos”, mais uma vez não é um curso sobre o esporte. O foco da aula expositiva é explorar a importância dos movimentos instáveis e imprevisíveis no condicionamento e preparação esportiva. Apresentamos, assim, o treinamento com objetos alternativos dentro de uma sequência lógica de integração:

Components de força Planos Lateralidade Componentes do movimento humano Capacidades funcionais Previsibilidade e codificação do gesto
Powerlifting Estática

De cessão

Ao longo do plano sagital Não Agachar

Puxar

empurrar

Força (e potência) Não
Levantamento olímpico Estática e dinâmica Ao longo do plano sagital Não Agachar

Puxar

Empurrar

deslocar

Potência (e força) Não
Girevoy / KB training Estática

Dinâmica

De cessão

Ao longo dos planos sagital, frontal e transverso Sim Agachar

Puxar

Empurrar

Deslocar

rotacionar

Potência (e força)

Força de resistência

Não
Strongman Estática

Dinâmica

De cessão

Ao longo dos planos sagital, frontal e transverso sim Agachar

Puxar

Empurrar

Deslocar

Rotacionar

arrastar

Potência (e força)

Força de resistência

endurance

sim

 

Os programas da MAD Powerlifting estão sempre se ampliando e se aprimorando. Nosso objetivo é oferecer ao público de treinadores, atletas e profissionais da saúde um conteúdo inédito, com uma abordagem integrada baseada na nossa filosofia quanto à corporalidade, à motricidade humana e a re-apropriação de capacidades inatas perdidas num processo de “deseducação” e alienação que nossa sociedade impõe a todos.

Nosso próximo desafio, já em curso, são os programas oferecidos diretamente ao público consumidor final destes produtos.

Por que fazer os cursos da MAD Powerlifting

Você – educador físico, professor, treinador de modalidades diversas, fisioterapeuta, estudante – está sob o bombardeio permanente de posters digitais de cursos dos mais diversos assuntos, todos lindos, coloridos e prometendo um upgrade sensacional na sua carreira e conhecimento.

Como escolher?

A gente sabe que isso não é simples. Você não conhece boa parte dos professores destes cursos.

Alguns cursos têm nomes sensacionais, os temas são tudo que você queria saber na vida. Vou contar um segredo para vocês: os nomes da maioria dos cursos são criados para isso. Existem pesquisas, surveys de comportamentos e atitudes, que detectam essas coisas. Aí é só inventar: “Treinamento funcional sub-aquático com plataforma instável”. “Cross-training meta-funcional metabólico com kettlebells”. “Treinamento cross-funcional para qualidade de vida”.

Pronto.

Tirando a piada, o título é o açúcar para atrair a multidão de gente confusa e perdida num mar de informação desorganizada, sem hierarquia e sem padrões meritocráticos.

Vamos traduzir isso: em qualquer campo técnico, o valor que deve prevalecer para o julgamento é o MÉRITO. O mérito, em campos técnicos, é medido através de indicadores. Em geral mede-se isso por uma ponderação entre o background acadêmico, a experiência de ensino e prática, e a excelência em performance.

Portanto sim, é importante você saber qual a formação de quem está lhe ensinando, onde e o que aprenderam, se produziram algo publicado, se têm experiência de ensino e se são bons no que fazem.

Resolvendo o problema de como julgar o curso no quesito professores (que às vezes pode importar mais que o tema), vamos aos temas.

Você realmente acha que um curso de Pilates sub-aquático cross-funcional vai dar um “up” na sua carreira? Sério mesmo?

Não vai.

O “up” na sua carreira virá de duas coisas: a primeira é você ganhar capacitação em atividades e saberes que você aplica no seu dia-a-dia. Agora entro com os exemplos dos nossos cursos: você está competindo com mais 43 candidatos a uma vaga de treinador de força e condicionamento. Entre você, que sabe corretamente as técnicas de agachamento, supino, levantamento terra, stiff e outros movimentos complexos, multi-articulares e funcionais, e o outro colega que sabe mal e porcamente executar três deles (de maneira errada, pois quase todos os nossos alunos chegam com erros importantes), qual estará em vantagem?

Você não tem que fazer um curso de powerlifting, natação ou kettlebell training para ser um powerlifter, um nadador ou um girevik. Você precisa fazer estes cursos porque são a base do treinamento. No caso do powerlifting, dos levantamentos de potência (levantamento de peso olímpico ou integrado) e dos kettlebells, porque simplesmente não existe treinamento de NADA sem estes movimentos.

Claro que é possível que você se depare com um empregador medíocre e mal formado que dará importância à “certificação” em Treinamento Cross-funcional em pliometria aplicada. Isso existe. E muito. Só que cada um destes modismos tem uma obsolescência imensa: em pouco tempo ninguém mais sabe o que era.

Já o que nós ensinamos, ensina-se desde sempre, pouco e você precisará deste saber para o resto da sua vida.

No próximo capítulo, falaremos por que o powerlifting é uma ferramenta de re-apropriação de memória motora perdida.

Marília

Galera de Brasília: para que serve agachamento, supino e terra

CARTAZ-BRASILIA

Teremos nosso primeiro curso de Powerlifting em Brasilia, na Nação Crossfit, dias 7 e 8 de setembro. E aí, para que serve isso? Para que aprender a agachar, fazer supino e levantamento terra?

Para começar, porque a maioria de vocês pensa que sabe fazer ou pelo menos é capaz de dublar, mas na verdade não é. É triste, mas a verdade é que os agachamentos, supinos e terra que vemos por aí podem até fazer uma referência poética aos levantamentos (ou exercícios), mas, sinceramente, não são.

Vemos agachamentos que param na metade, agachamentos tipo “bom-dia”, agachamentos com a barra no pescoço ou o joelho para dentro. Vemos de tudo, menos o bom e velho agachamento para valer.

No supino, então, vemos “coreografias para peito” que usam tudo que não precisa, não estabilizam nada e são desastres lesivos pedindo para acontecer no ombro do cidadão.

Levantamento terra é meio desconhecido: é até difícil ver mal feito porque ninguém faz. Em geral, os proprietários de academias para treino de açougue proíbem, pois pode estragar o chão (??!!). Quando vemos um terra, ele lembra a letra “C”.

Assim, o primeiro motivo é ser apresentado a estes belíssimos levantamentos/exercícios que serão – a gente promete – novidade para vocês.

O segundo motivo é a base da nossa proposta pedagógica: dentre os vários elementos fundamentais da motricidade humana, três movimentos são consenso entre todas as tipologias propostas. Estes três são o AGACHAR, o EMPURRAR e o PUXAR. Sim, existem outros. Estes, no entanto, são as letras mais básicas do “alfabeto” do movimento humano.

Os levantamentos do powerlifting – agachamento, supino e levantamento terra – são as formas codificadas mais simples para realização destes elementos básicos do movimento humano. Eles estão na base de tudo e são transferíveis para tudo.

Falando em transferência, ela estará presente durante todo o curso, pois são estes levantamentos com pesos livres, envolvendo muitas cadeias cinéticas e planos, que constituem os movimentos de maior transferabilidade para outras tarefas. Portanto, de maior FUNCIONALIDADE.

Vamos nessa?