Precisamos falar sobre distância e tecnologia: treinamento e programação online – parte 1

Parte 1: por que a programação e treinamento online são uma opção cada vez mais atraente

Eu moro nos Estados Unidos. Hugo Quinteiro, meu parceiro de trabalho, treino e competição, no Brasil. Os alunos e atletas que nos contratam para treiná-los estão por toda parte: Venezuela, Austrália e pelo menos 4 estados do Brasil.

A realidade é que uma soma de fatores colocou a opção do treinamento e programação de treino online como a preferencial para uma parte significativa e crescente dos usuários deste serviço no primeiro mundo. Alguns destes fatores são fáceis de discutir e bons. Vamos a eles:

1.   A tecnologia da informação e os aplicativos para celulares e computadores permite um grau de interação cada vez maior entre treinador e atleta e aluno. Podemos observar o treino de um aluno em tempo real ou podemos repetir um vídeo dezenas de vezes até identificar todos os problemas no padrão de movimento. Podemos conversar – com voz e vídeo ou por texto – diáriamente com eles. Perto de uma competição, isso se torna crítico.

2.   O treino online programado requer a compra de um pacote e uma planilha periodizada. A verdade é que talvez essa seja uma das poucas oportunidades em que o aluno terá esse grau de cuidado com o seu treino. A imensa, esmagadora maioria dos personal trainers NÃO programa detalhadamente o treino de seus alunos. Isso não é necessariamente catastrófico, mas como Benjamin Franklin dizia, “fracassar ao planejar é o mesmo que planejar o fracasso”.

3.   Contratar um personal trainer ficou cada vez mais barato. Na academia que eu frequento, por US$80.00 a mais por mês, há uma promoção de disponibilidade ilimitada de um treinador pessoal. Isso pode fazer a hora do treinador cair para US$4.00. A maioria deles não tem formação acadêmica ou experiência em treinamento para oferecer um trabalho de qualidade. Sinceramente, por essa remuneração é impossível exigir qualquer coisa.

4.   O resultado disso é que os bons treinadores não estão necessariamente próximos a você. Por mais que seu treino seja essencial, ele também é obrigatoriamente consistente para funcionar, ou seja: você deve treinar de 3 a 5 vezes na semana. Se o seu treinador está a 3 horas de distância de você, de duas uma: ou você abdica de estudar ou trabalhar, ou muda para a cidade dele. Não é preciso ir tão longe: em São Paulo, se você tem que se deslocar por 1,5h para ir tantas outras para voltar do local onde está seu treinador, eventualmente você vai abandonar o treino porque ninguém tem 3-4 horas disponíveis só para esse deslocamento (considerando que você também se desloca para outros lugares durante o dia).

5. Boa parte dos bons treinadores no primeiro mundo já oferece as opções online e uma parte significativa tem muito mais alunos online do que presenciais. Um aluno presencial não dá mais trabalho do que um online, mas a demanda, para quem já tem um nome, é maior pelo treinamento online. O motivo inclui os ítens acima, mas também o fato de que é infinitamente mais barato: treinar com um bom treinador três vezes por semana pode custar, aqui, mais do que US$1200.00 por mês. Comprar um pacote de treino online para o mesmo período varia entre US$90-200.

Programar não é das coisas mais fáceis. Não basta dominar a literatura sobre periodização e princípios de treinamento: é preciso prática. Eu programo treinos há 10 anos. Sei disso porque recentemente enviei todas as minhas planilhas para um folder comum para uso da minha equipe e as primeiras datavam de 2006. Depois do nosso curso de periodização, tenho oportunidade de revisar os programas de alguns treinadores. Melhoram muito, mas para chegar no ponto em que temos a segurança sobre cada exercício de um programa é preciso bastante tempo de experiência com essa modalidade de treinamento.

Funciona. Se não funcionasse, não estaria crescendo. Não é um mundo fácil: hoje, qualquer atleta que suba no palco (bodybuilding) ou faça um bom total (powerlifting e weightlifting) já começa a oferecer treinamento online.

Nos próximos artigos, vou discutir para quem serve o treinamento e programação online e também como escolher seu treinador. Vamos discutir também como é montado o treino de um aluno à distância e como é monitorado.

Entrevista com Vinicius Barbosa

MAD – Fale um pouco sobre você, Vinicius: onde e quando nasceu, como foi sua infância e como é sua família.

Sou de Goiânia, Goiás. Nasci em 1985, quando as crianças brincavam muito mais nas ruas e computadores e jogos eletrônicos ainda estavam por vir. Joguei muito “golzinho” na rua do prédio em que eu morava, rodava o bairro de bicicleta e patins, adorava artes marciais – pratiquei caratê durante alguns anos – e também fiz natação. Os jogos contra outros prédios do bairro nos campos de terra renderam momentos inesquecíveis! Na escola nunca me furtei de participar das modalidades da educação física obrigatória: futsal, basquete, handebol e vôlei. Foi uma infância movimentada, eu diria.  Do tipo que não se vê mais hoje em dia.

MAD – Quando você era pequeno, o que mais interessava você?

Eu adorava artes marciais. Assistia a todos os filmes do gênero e praticava caratê. Também jogava muito futebol.  A gente chutava bola de meia, tampinha de garrafa, fazia golzinho na rua, campo de terra, e tudo mais que se podia inventar. Mas eu dividia estas atividades com o vídeo game, era a época de ouro do Super Nintendo e depois a primeira geração do Playstation. Eu não sei como conseguíamos fazer tanta coisa naquela época! Em meados da década de 90 ganhei meu primeiro PC. Aquilo me fascinou; passei a dizer que queria me formar e trabalhar com computação. E mais tarde foi justamente o primeiro caminho que segui profissionalmente.

MAD – Escolha profissional: como você escolheu o que estudar e como foi a “primeira carreira”?

No 2º ano do ensino médio entrei no curso técnico de Telecomunicações, já pensando na Engenharia de Computação que pretendia cursar posteriormente. Terminado o curso de Telecom ingressei, via concurso, na Celg (Companhia de Energia Elétrica de Goiás) e ao mesmo tempo iniciei meus estudos em engenharia de computação na Universidade Federal de Goiás. Foram mais de 5 anos de curso superior no qual, embora eu tivesse boas notas e tenha feito grandes amizades, eu nunca me senti integrado naquele mundo. Um indício disto era minha falta de interesse em assuntos de computação e programação fora do currículo escolar. Eu até estudava! Me graduei com média global acima de 8. Razoável, não? Mas aquilo não era minha vocação. Acredito que o relativo sucesso nos estudos vieram da minha educação de base, mas não de um talento para mexer com computação.

MAD – Você fez uma das coisas consideradas mais ousadas na nossa sociedade super-especializada: trocou de profissão. O que motivou você a fazer isso?

Eu tinha meu diploma em engenharia de computação e um emprego estável. Mas não estava feliz! Não exercia uma função que me fosse gratificante, fazia muitas horas-extras, e foi crescendo um sentimento de insatisfação. O momento de tomar uma decisão mais drástica era aquela. Eu sabia que esta decisão significaria dar vários passos para trás até recuperar a estabilidade financeira e profissional que eu já havia conquistado. Mas eu estava com vinte e poucos anos ainda! O momento de arriscar era aquele, eu não poderia me acomodar naquela zona de conforto ilusória. Com o suporte da minha esposa (sem ela nada disto seria possível), iniciei um projeto totalmente novo, tanto pessoalmente quanto para o mercado “fitness”: abri a Arena Performance, um centro de treinamento pautado nos exercícios livres com barra e kettlebells. Este desafio duplo tornou a jornada ainda mais complicada. Primeiramente eu entrava em um campo profissional e em um mercado totalmente estranho, sobre o qual eu conhecia muito pouco. Como se não bastasse, escolhi seguir uma linha de treinamento que o grande público ignorava e ainda desconhece bastante. Quando fundei a Arena Performance não havia ocorrido este “boom” do Crossfit aqui no Brasil, tornando a adesão de novos alunos ainda mais difícil. O que me fez perseverar neste caminho foi uma certa vocação: quando você é chamado a fazer algo que vai além de qualquer recompensa imediata, que de alguma forma você não consegue deixar de fazê-lo. Confesso que já pensei em desistir. Mas não o fiz porque depois que trilhei este caminho, não me imagino fazendo outra coisa.

MAD – Por que força é tão importante?

Ser forte para mim está ligado a todas as decisões e aos rumos que tomaram minha vida desde que conheci o treino de força. Então não significa apenas ter músculos ou levantar mais carga. Eu escolhi ensinar as pessoas a se tornarem mais fortes, mostrar a elas que há mais para se ganhar do que apenas estética. A força está no CERNE de todo ser humano e as pessoas precisam redescobrir isto.

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MAD – Você escreve bastante sobre métodos de treinamento. Qual foi sua motivação para “fazer diferente”?

O treinamento tradicional feito em aparelhos nunca me chamou a atenção. Entrei na academia para me manter ativo. Estava sedentário, já não praticava com regularidade nenhum esporte, e a academia tradicional era a opção mais fácil para retomar algum nível de atividade física. Não satisfeito com aquela rotina nos aparelhos, comecei a pesquisar sobre treinamento físico e descobri outro mundo: o treinamento com pesos livres (levantamento básico, olímpico e kettlebells). Entrei de cabeça neste mundo, estudando e praticando. Aquilo sim fazia sentido! Treinar o corpo de forma integrada, através de movimentos que são o padrão fundamental da nossa motricidade e da nossa fisiologia. Eu olhava ao meu redor e não via absolutamente uma alma fazendo nada daquilo; professores instrutores das academias também totalmente alheios. Eu vi que eu poderia fazer diferente e melhor.

MAD – Arena: como está sendo a experiência de uma proposta alternativa? Quem é seu público? Como você vê o “fitness alternativo” no Brasil?

Tem sido bastante desafiador alavancar um projeto como a Arena. As mídias sociais e a popularização do crossfit têm ajudado bastante. Este ao utilizar muito dos exercícios que também utilizamos e por adotar um visual mais rústico apresenta um modelo de fitness para a sociedade que se parece com a nossa proposta, eliminando muito do estranhamento inicial e rejeição; as mídias sociais garantem uma exposição e divulgação únicas, fundamental no processo de formação e comunicação com o público que está insatisfeito com as academias tradicionais e buscam alternativa. O “fitness alternativo” está crescendo, mas tem sido parasitado pelas academias tradicionais, que abrem espaços específicos para a prática do que chamam de aulas de “funcional” e “cross”. Estes espaços, no entanto, não representam uma quebra de paradigma em como pensar o treinamento, mas simplesmente é uma resposta ao modismo, uma opção a mais entre quinhentas outras modalidades que a academia oferece ao aluno. Resumindo: uma jogada de marketing. Centros de treinamento que verdadeiramente fazem diferente existem, ainda são poucos, mas muito promissores.

MAD – A carreira de atleta de powerlifting: como foi subir no tablado pela primeira vez? E agora, para onde vai?

Escrevi em meu blog à época do primeiro campeonato que participei. Ali está registrada a experiência ainda fresca na memória, com os sentimentos mais aflorados. Transcrevo abaixo:

“…foi uma das experiências mais marcantes da minha vida. Impossível descrever em palavras o que aconteceu. Fiz um agachamento 10kg e um terra 15kg mais pesados que meus máximos de treino, e se eu já relatei aqui como é diferente a dinâmica do treino de força – regularmente testando seus limites, se superando treino após treino, vivendo momentos marcantes e ficando cada vez mais forte a cada ciclo de treinamento – absolutamente NADA se compara ao momento em que você completa uma repetição máxima em um tablado competitivo, em um meet de powerlifing. Não se trata ali de superar adversários, de ganhar ou sair premiado. Não. Trata-se antes de, por alguns segundos, se desligar completamente de toda complexidade mental e emotiva com as quais nos cercamos, e contemplar a essência física de SER humano. Ainda fico meio atônito, me pego muitas vezes com cara de paisagem, olhar longe e coração meio acelerado quando paro para reviver aquelas horas. Como consequência de tudo isso, a motivação e o foco para treinar estão em outro nível, muito mais elevados, e a própria experiência de treino está diferente… Enquanto escrevia este post, me recordei desta entrevista com a Marilia Coutinho, na qual ela fala sobre o levantamento perfeito:

“O levantamento de peso tem uma dimensão técnica. A segunda dimensão é neural. A terceira é mental. Mas existe um quarto passo, quando tudo isso se integra e transcende. Pra mim a execução muito integrada de um levantamento é um ato perfeito. Só vivi isso umas três vezes. Já não sou eu, não é o meu corpo, minha mente. Não tem peso na sua mão. Não tem mão! Uma dissolução tão grande que é como se o movimento fosse a única coisa acontecendo. E, por ser movimento, ele passa. Mas naquela hora não há temporalidade. É um momento de iluminação: você entende a natureza do movimento e, ao entender isso, você entende quem você é.” “

Meu objetivo é alcançar marcas cada vez mais expressivas para em futuro próximo participar de um campeonato mundial. A tarefa é árdua. Conciliar a gestão da academia, com aulas, treinamento, alimentação e família é complicado. Mas vejo essa busca como uma peça fundamental na minha carreira e também pessoalmente.

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MAD – Treinar atletas e treinar pessoas em busca de outros objetivos: é diferente? De que jeito?

Muito diferente. O atleta tem uma motivação intrínseca em ser cada vez melhor, então o desafio se torna escolher os meios e métodos de treinamento mais eficientes para os objetivos dele. Próximo à competição vem aquela expectativa, a prova definitiva se as escolhas foram acertadas ou não. Lidar com o público em geral requer outras habilidades. Creio que a principal delas é a capacidade de manter a adesão do aluno ao programa de treino. Então não basta ser um expert em métodos de treinamento e periodização, é preciso motivar, explicar, incentivar. Existe uma carga emocional e psicológica muito grande quando se trata do público em geral. Este aspecto no atleta é mais específico, está ligada à competição em si. No aluno comum é uma miríade de fatores: familiares, conjugais, financeiros etc. Acrescente a isto a reeducação alimentar que este aluno muito provavelmente deve fazer! De fato não é fácil.

A nova ordem do Programa de Educação Continuada em Força da MAD Powerlifting

Curto e simples: fizemos o que a lógica requer e colocamos o curso sobre Periodização como último na sequência. Agora as explicações.

Os seis primeiros cursos são numerados e chamam-se “Powerlifting (número X)”. Como pode-se observar pela descrição abaixo, esse nome é uma referência ao nome da MAD Powerlifting e não um programa de formação no esporte powerlifting.

A nova estrutura do nosso programa é a seguinte:

 

Número e ordem Sub-título / nome
Powerlifting 1 Fundamentos básicos da força
Powerlifting 2 Segmentação de movimentos e exercícios assessórios
Powerlifting 3 Força e estabilidade: exercícios assessórios com equipamentos (elásticos, correntes, boards, bamboo bar, etc)
Powerlifting 4 Força e hipertrofia: outros exercícios bom barras e anilhas
Powerlifting 5 Pegada
Powerlifting 6 Periodização
Strongman Treinamento com objetos alternativos e Strongman

 

O motivo deste deslocamento do curso de periodização para o final do programa básico é óbvio: é importante conhecer os vários componentes do treinamento de força baseado nas ferramentas dos movimentos básicos para poder planejar, programar e periodizar.

O motivo pelo qual este curso não era o final é histórico: a MAD começou em 2013 com um curso. Depois se transformou em dois, sendo o segundo o de força e hipertrofia. Muito rapidamente ficou claro que os assessórios para os três movimentos básicos requeriam um outro curso, ou melhor dois. Assim, já tínhamos quatro cursos. Esse era o núcleo básico. Com a demanda sobre periodização, ficamos com cinco e o curso de pegada veio em seguida. O núcleo básico ficou sendo o de fundamentos básicos, estabilidade e segmentação, junto com periodização. Força e hipertrofia ficou num fim de semana com periodização. Todos os alunos apontaram a inadequação desta ordem. Como a gente escuta nossos alunos, mudamos.

Diego e Marilia: MAD no Campeonato Mundial de Powerlifting

Em três dias estaremos embarcando para Las Vegas para competir no IPL World Powerlifting Championship (Campeonato Mundial de Powerlifting da IPL).

Foram oito meses sem competir e pelo menos três meses de preparação para fazer aquilo que mais gostamos: levantar peso. Peraí: três meses de preparação? Estritamente falando, sim: o ciclo de preparação competitiva tem de 8 a 12 semanas. Ele está inserido, no entanto, num calendário maior de preparação, com outros ciclos que preparam o atleta para enfrentar estas 12 semanas focadas na competição.

Nestas 12 semanas, todos os exercícios que fazemos, a comida que comemos e até nossos pensamentos e sentimentos estão voltados para uma coisa: a competição.

Para nós, esse é um momento de muita alegria. Independente do resultado, estamos indo bem preparados e com tudo certo. Vamos competir num ambiente que conquistou a credibilidade mundial pelo rigor , organização e seriedade, sem comprometer a qualidade humana. Na International Powerlifting League, agachamentos são profundos, supinos têm parada visível no peito e anda-se para trás com a barra nas costas. Powerlifting: puro, simples e correto.

Diego e eu viajamos várias vezes juntos para campeonatos. Sempre nos saímos bem, sempre nos divertimos muito e sempre aprendemos muito. Compramos comida que é boa para nós, observamos tudo, fazemos novos amigos e voltamos com conhecimento a mais para compartilhar com todos vocês.

A todos os nossos alunos, tenham a certeza de que ensinar vocês foi aprender mais sobre nossa grande arte do Powerlifting. Assim, um pouco de vocês vai junto conosco para Las Vegas.

Para os atletas que participaram dos campeonatos da ANF, vários também nossos alunos, cada gota de suor de vocês está incorporada ao nosso esforço.

Aos nossos parceiros e sempre apoiadores – patrocinadores, profissionais da saúde, amigos, família, Crossfits, patrocinadores – nossa mais profunda gratidão.

Tamo indo!

 

Galera de Brasília: para que serve agachamento, supino e terra

CARTAZ-BRASILIA

Teremos nosso primeiro curso de Powerlifting em Brasilia, na Nação Crossfit, dias 7 e 8 de setembro. E aí, para que serve isso? Para que aprender a agachar, fazer supino e levantamento terra?

Para começar, porque a maioria de vocês pensa que sabe fazer ou pelo menos é capaz de dublar, mas na verdade não é. É triste, mas a verdade é que os agachamentos, supinos e terra que vemos por aí podem até fazer uma referência poética aos levantamentos (ou exercícios), mas, sinceramente, não são.

Vemos agachamentos que param na metade, agachamentos tipo “bom-dia”, agachamentos com a barra no pescoço ou o joelho para dentro. Vemos de tudo, menos o bom e velho agachamento para valer.

No supino, então, vemos “coreografias para peito” que usam tudo que não precisa, não estabilizam nada e são desastres lesivos pedindo para acontecer no ombro do cidadão.

Levantamento terra é meio desconhecido: é até difícil ver mal feito porque ninguém faz. Em geral, os proprietários de academias para treino de açougue proíbem, pois pode estragar o chão (??!!). Quando vemos um terra, ele lembra a letra “C”.

Assim, o primeiro motivo é ser apresentado a estes belíssimos levantamentos/exercícios que serão – a gente promete – novidade para vocês.

O segundo motivo é a base da nossa proposta pedagógica: dentre os vários elementos fundamentais da motricidade humana, três movimentos são consenso entre todas as tipologias propostas. Estes três são o AGACHAR, o EMPURRAR e o PUXAR. Sim, existem outros. Estes, no entanto, são as letras mais básicas do “alfabeto” do movimento humano.

Os levantamentos do powerlifting – agachamento, supino e levantamento terra – são as formas codificadas mais simples para realização destes elementos básicos do movimento humano. Eles estão na base de tudo e são transferíveis para tudo.

Falando em transferência, ela estará presente durante todo o curso, pois são estes levantamentos com pesos livres, envolvendo muitas cadeias cinéticas e planos, que constituem os movimentos de maior transferabilidade para outras tarefas. Portanto, de maior FUNCIONALIDADE.

Vamos nessa?