André Giongo: lei, luta e esporte

André, onde e quando você nasceu? Conte um pouco como era sua infância, se você brincava muito na rua ou era um garoto videogame. O que você mais gostava de fazer?

Resposta:  Nasci em São Paulo no ano de 1976. Minha infância foi bem diferente do que vemos hoje em dia. Na minha época ainda não tinha vídeo games, brincávamos na rua jogando bola, brincando de policia e ladrão, esconde-esconde, pega-pega, siga o mestre entre outras brincadeiras.

Nessa época inventaram o primeiro vídeo game chamado Atari, porém nunca gostei de vídeo game, meu negocio era brincar na rua, ter aquela liberdade para correr, saltar, cair, se machucar…  

 

Quando você começou a praticar esportes? Quais eram? O que você gostava mais?

Resposta:  Comecei na escolinha de esportes do clube Banespa, onde aprendíamos todas as modalidades. A modalidade que eu mais gostava era o futebol.

Porém quando era pequeno adorava uma confusão e para aprender a me defender e “gastar energia” meu pai me levou para  conhecer o Judo, que pratiquei durantes uns anos. Depois voltei para o futebol e esportes de quadra.   

 

Como foi a sua relação com os vários esportes até chegar aos de força? Quais esportes você se interessa mais, mesmo sem praticar?

Resposta:  Até os quinze só praticava esportes de quadra, sendo o meu favorito o handball, o qual joguei durante algum tempo pelo Esporte Clube Sírio e  pelo Clube Banespa. Quando fiz quinze anos voltei a praticar luta e comecei a fazer capoeira com o Mestre Santana da Luna e lá conheci a Abadá-Capoeira do Mestre Camisa. Em São Paulo naquela época tinha um grupo de capoeirista comandos pelos capoeiristas  Peixe Cru e Tucano Preto que estavam entrando para o grupo Abadá. Treinava com eles aos sábados na USP. Nessa época começou a surgir em São Paulo o Jiu-jitsu, em meados de 1993/94. Porém o jiu-Jitsu era caro para se praticar e no  inicio apenas as academias “mais chiques” tinham esse  modalidade. Diminui os treinos de capoeira para praticar musculação pois queria ficar grande e forte. Logo na sequência, um conhecido do bairro começou a dar treino de Jiu-jitsu. Como tínhamos amigos em comum, acabei indo treinar Jiu-Jitsu com o Roberto Godoi, faixa marrom na CBA Academia. Treinei Jiu-Jitsu durante uns 4 anos, sendo 2 anos direto e 2 anos treinando e parando por causa do trabalho. Já tinha uma noção boa de chão e resolvi aprender Boxe. Comecei a treinar com o Atila Cebola, que puxava os treinos de boxe na extinta Godoi Macaco, onde treinei entre dois e três anos. Foi quando um amigo começou a dar aula de Muay Thai, o Gustavo Treta, na academia do Roney Alex, conhecido e renomado mestre de Muay Thai. Me convidou para treinar com ele, pois tinha uma  boa noção de mão e precisava aprender a chutar. Começamos a treinar na Av. Jandira onde o Mestre Roney Alex puxava os  treinos da equipe dele. Na sequência o Gustavo Treta arrumou uma academia para dar aula e fui com ele como assistente. Nesse período e através do Luiz Azeredo, vulgo Luizinho, que já estava na Chute Boxe e Gustavo Treta, também começou a fazer parte da Chute Boxe Sp. Nessa época as lutas ainda não tinham tanto espaço na mídia como hoje em dia. Foi aí que eu percebi que estava diante de um dilema: ganhar dinheiro ou fazer o que gostava. Acabei optando por fazer o que gostava, mesmo que isso me levasse a cursar outra faculdade e começar do zero tudo de novo.           

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Você estudou direito e depois Educação Física. Como foi essa opção? Você acha que o direito ajuda você a pensar o treinamento e o esporte?

Resposta:  Sou bacharel em dIreito, porém não tirei a OAB, pois quando me formei estagiava de manhã na Prefeitura de São Paulo na Regional da Sé e depois na Rgional da Vila Mariana e  trabalhava com atividade física, dando aula de Muay Thai e Musculação no período da tarde. Foi aí que percebi que minha praia era a dos esportes e não a jurídica. Então  voltei  a estudar e me formei em Educação Física.

O direito é uma faculdade que deveria ser obrigatória para todos,  pois ela abre muito a sua cabeça em relação aos seus direitos e deveres. E tem me ajudado muito na área da Educação Física, pois o Direito não é uma ciência exata, ele é muito subjetivo, pois depende da interpretação pessoal do que está escrito. A Educação Física também não é ciência exata e isso é o que mais me atrai nela,  pois cada aluno tem o seu tempo de  desenvolvimento, de aprendizagem, de aperfeiçoamento motor.    

 

Como você se define como treinador? O que é ser treinador para você?

Resposta: Sou uma pessoa  calma e bem paciente, porém como treinador  sou um cara exigente e até chato. Só paro de pegar no pé do aluno quando ele estiver realizando o exercício de maneira correta. Vou confessar uma coisa, gosto de ver o aluno sofrer, de sentir que ele esta se dedicando aos treinos e o mais gostoso é ver a cara de satisfação do aluno quando atinge um objetivo.

Ser treinador, na minha concepção, é incentivar o aluno a sempre estar fazendo o seu melhor, é ser um pouco psicólogo, amigo, irmão mais velho, dar conselhos e influencia-lo  de maneira positiva não só durante o treino para que ele seja uma pessoa melhor durante a sua vida, independente de estar treinando comigo ou não.      

 

Fale um pouco sobre o fisiculturismo, sua passagem por ele, e a herança para os demais esportes de força

Resposta: O fisiculturismo apareceu em minha vida na época  em que trabalhei na  Espártaco  Academia, como existiam muitos atletas que treinavam lá e depois de preparar um aluno para competir, resolvi botar a cara a tapa e competir também. Isso aconteceu em 2006: competi na Copa Corpo e Saúde da Academia Gaviões de Guarulhos, onde fui campeão da categoria Class I nível intermediário.  

Uma coisa que acredito é que para você poder falar de alguma coisa, ou trabalhar com algo você precisa conhecer, praticar, vivenciar. Por isso acredito que um bom professor tem que saber treinar, não precisa ser atleta, mas tem que, pelo menos colocar a mão na massa e treinar.

O fisiculturismo apesar de trabalhar com pesos é considerado uma  modelagem física, pois na hora da competição não depende da sua força para vencer, diferente de outros esportes de força onde o mais forte é testado na prova.        

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Musculação: o que é isso para você? Se você tivesse que transformara as salas de musculação no seu ideal, como faria?

Resposta: Hoje vejo a musculação com outros olhos. Quando comecei a treinar a musculação só servia para o praticante conseguir um corpo mais hipertrofiado e bonito. A musculação era muito mal estudada, existia um monte de restrições para quem quisesse praticar. Nos dias de hoje a musculação passou de um esporte mal visto, para um esporte que é indicado por cardiologistas,  por fisioterapeutas, por geriatras. Esses são apenas alguns exemplos de como podemos usar a musculação para melhorar a saúde de nossos alunos.

Minha sala de musculação seria com poucas máquinas e muito peso livre. Usaria as máquinas em determinadas situações que elas fossem realmente necessárias.  Exemplos leg press,  lat pull down,   Muitas gaiolas de agachamento, bancos de supinos, tablados para fazer o levantamento terra e os levantamentos olímpicos, kettelbel, elásticos, correntes, caixotes,  anilhas e barras.                 

 

Quem são seus ídolos no esporte? Com quem você mais aprendeu?

Resposta: Meus ídolos são:

Nas artes marciais o Hélio Gracie, que só começou a praticar o jiu-jitsu depois de alguns anos vendo seu irmão ministrar as aulas. E por ser muito pequeno e leve teve que aprimorar o jiu-jitsu para as suas  necessidades, surgindo assim o Brazilian jiu-jitsu ou Gracie jiu-jitsu.

No futebol o Ronaldo fenômeno pela sua força de vontade e superação dentro e fora dos gramados. Além de ter sido jogador do Corinthians meu time de coração. 

Cheguei onde queria, meus ídolos nos esporte de força, são José Carlos Vidal que tive a oportunidade estagiar e depois trabalhar com ele no Esporte Clube Sírio.. Uma pessoa humilde, de um conhecimento ímpar sobre os esportes de força, pois foi praticante de LPO  (com  alguns títulos regionais e nacionais), de powerlifting (vários títulos regionais,  nacionais e internacionais), luta de braço, mais conhecido como braço de ferro ( sendo campeão mundial algumas vezes com os dois braços)

E claro minha amiga e antiga parceira de treinos Marília Coutinho, a história de superação dela é impressionante. Uma mulher muito inteligente, corajosa e muito, mas muito forte.

Ela é a única mulher da América latina à ser campeã interfederativa ( ou seja todas as federações juntas) de agachamento em 2012 e é a atual campeã interfederativa de supino em duas categorias diferentes.               

Mestre Vidal Porão

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E a pergunta que não quer calar: por que você inventou a MAD? O que espera dela?

Resposta: A MAD surgiu durante um treino nosso, como sempre estávamos conversando sobre como poderíamos ganhar dinheiro fazendo o que gostávamos. Nessa época a Marilia já estava realizando o curso de 5 levantamentos com O Joel da CrossfitBrasil.  Pórem o crossfit cresceu muito rápido e como o Joel era um dos responsáveis pelo crossfit no Brasil ele acabou ficando sem tempo para fazer os cursos com a Marília. Foi daí que eu tive a idéia de criar uma equipe para ministrar os cursos de powerlifting, tendo como principal professor, claro que a própria Marília.   A idéia inicial era Marília como professora titular e eu apenas como ajudante, mas como estava trabalhando como personal e não tinha muito tempo extra para me dedicar a MAD, a Marília chamou um aluno que ela conheceu quando dava um  curso pela Gama Filho.  Assim surgiu a primeira formação da MAD, que passou algumas mudanças e agora contamos com uma série de professores muito bem qualificados e que além de saberem ensinar também praticam o que ensinam.